segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um Dia Normal

Comecei a semana de forma bem difícil. Fui "presenteada" com uma crise de pânico às três horas da manhã. Passei mal, não dormi direito e acordei me sentindo muito mal. Há um tempo atrás tinha muito dessas crises, mas por um tempo tive um pouco de paz. Não sei exatamente o que desencadeia essas crises, só sei que elas acontecem. Graças a Deus, no meu trabalho tenho toda a liberdade de tirar um dia de folga quando não me sinto bem. Mas hoje resolvi que não queria folga nenhuma. Porquê ficar em casa pensando na morte da bezerra? Queria estar com meus amigos, com as pessoas com quem trabalho, queria ver a Sophia, e principalmente, queria participar do meu grupo. E assim fiz. Saí da cama e fui para uma das coisas que mais me realiza na minha vida. E, ah como foi bom ter feito isso! Sabe, às vezes fico me perguntando se sou eu quem ajudo essas meninas ou se são elas que me ajudam.
Não aconteceu nada de surpreendente hoje no grupo, e também não tenho nenhuma história emocionante. Não. Foi um dia bem normal. Mas meu coração se encheu de gratidão por poder estar aqui, por poder fazer o que faço, por conhecer essas meninas. Quando fomos para o parquinho, levei alguns livros (estou tentando despertar o gosto delas pela leitura) e algumas meninas ficaram perto de mim, lendo. Uma delas se apoiou confortavelmente em mim para ler seus livros de histórias bíblicas. Ainda outra do meu lado, devorava um livro infantil sobre a vida da Anne Frank. Uma terceira apenas olhava as figuras dos livros, o que já é alguma coisa. Cantamos juntas no tempo de louvor e me alegrei em Deus por esse momento também.
Voltei para a minha casa feliz por não ter passado o dia todo na cama pensando se teria outra crise de pânico ou se iria passar mal de novo. A minha vida é linda, eu amo meu trabalho, sou feliz com o que faço e estou aprendendo a valorizar as pequeas coisas da vida.
E você, vai passar o dia ou a semana reclamando e remoendo coisas que você não pode mudar ou sairá para viver cada minuto dessa vida maravilhosa que Deus nos dá?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Anne Frank e as Meninas do Cafezal

Por alguns dias estava com muita expectativa de ensinar às meninas do meu grupo sobre a Anne Frank, Hittler, Nazismo e II Guerra Mundial. Mas nessa manhã, quando estava revisando a minha aula comecei a ficar um pouco apreensiva. Como explicar o nazismo para crianças? Meu marido sempre fala que na Holanda esse assunto é levado muito a sério e que as crianças aprendem sobre a II Guerra mundial bem cedo. Mas aqui no Brasil... bem, nunca aprendemos muito bem sobre guerras. O que pode ser bom e ruim ao mesmo tempo.
Mas hoje quando comecei a contar a história da Anne Frank aconteceu o que eu esperava mas não imaginava: as meninas prestaram muita atenção e quase não me deixavam falar de tantas perguntas que faziam! Elas tinham pressa em saber tudo! "O que aconteceu com a família da Anne Frank? Quem os entregou? Por que ela teve que ir para um campo de concentração? O que é um campo de concentração? O que é um judeu?" E milhares de outras perguntas. É claro que alguns termos tive que explicar várias vezes e também relembrá-las que a guerra acabou há 66 anos. Quando eu disse que havia visitado o campo de concentração em Auschwitz elas falaram: "Credo fessorra, o que você foi fazer lá? Como você entrou??" Elas demoraram um pouquinho para entender que essa história não era tão recente assim (ou que eu não era tão velha!).
Foi muito legal ver o quanto a história da Anne Frank mexeu com elas. No final, mostrei dois vídeos com fotos e trechos do diário de Anne Frank e algumas das meninas estavam quase chorando. Depois que eu acabei de contar a história uma delas perguntou: "Essa história é de verdade mesmo?" Então a Becky, que trabalha comigo no grupo, disse: "Sim, aconteceu mesmo!" A menina respondeu: "Nossa, que história esquisita!"

Essa foto foi tirada quando visitei o campo de concentração Auschwitz.
Na foto ao meu lado, Anne Frank e suas amigas
Para encerrar encorajei-as a escrever um diário, escrever textos, contos e enfatizei o quanto a escrita é importante. Por causa da escrita, Anne Frank ficou muito famosa, mesmo depois de morta e por causa do diário dela, pudemos saber mais sobre o que aconteceu durante a II Guerra Mundial. Algumas meninas me perguntaram: "como era um diário?" Disse que poderia ser qualquer caderno. Era só começar a escrever. Outras me pediram o diário de Anne Frank emprestado, pois ficaram super curiosas para ler. Felizmente nós temos um livro para crianças sobre a Anne Frank. Ainda quero continuar dando algumas aulas sobre escrita, português e redação. Quero muito incentivar a criatividade delas com a escrita e mostrar que elas podem criar, escrevendo. Também quero continuar ensinando história, o que acredito ser muito bom para dar novas perspectivas para a criança. Bem, para começar já tive uma ótima experiência. Agora é só prosseguir ensinando. Deus me ajude!
Para saber sobre nossa visita em Auschwitz e ver mais fotos, clique aqui: Texto 1 - Fotos - Texto 2

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Programa "Sempre Feliz" na Casa Luzeiro

A Rede Super (canal de televisão da Igreja Batista da Lagoinha) fez um programa sobre a Casa Luzeiro e a base da JOCUM em BH. Para vocês que não são de BH ou não tiveram a oportunidade de assistir, segue logo abaixo o programa. Conheça um pouquinho mais sobre o ministério em que trabalhamos! E para mais informações, acesse:
http://www.casa-luzeiro.blogspot.com/

Assista ao programa:


video

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um dia para nunca mais esquecer - Dia de Princesa no Cafezal

O que você faz num domingo? Vai à um parque? Ao cinema? Fica o dia todo de pijama, hibernando em casa? Sai com sua família para uma churrascaria? Pois eu conheço uma galera que resolveu passar seu domingo dando um dia de princesa para um grupo de 13 meninas, moradoras da Comunidade do Cafezal. Por volta das nove da manhã abrimos as portas da Casa Luzeiro para nove carros, cheios de pessoas animadas para servir a Deus com seus dons, recursos e tempo. Tudo começou há um tempo atrás, quando eu comecei a trabalhar com o grupo de meninas, resolvi convidar algumas pessoas que estivessem interessadas em fazer algo legal com as meninas. Escrevi sobre isso aqui. No início eram três pessoas, que convidaram alguns amigos, que convidaram o pessoal da sua célula, que convidaram outros amigos e assim, naquele primeiro dia apareceram 11 pessoas para abençoar meu grupo de meninas.
Certo dia o Isaac me convidou para dar uma palavra para o grupo dele. Ele tem um grupo de volei para meninas de 13 a 17 anos. Eu pensei: "não quero ficar só falando como elas devem ser, quero mostrar como elas devem ser". Então sugeri que fizéssemos um "Dia de Beleza". Enquanto isso, aquela galera que veio da primeira vez, já estava pensando em novas idéias para abençoar a comunidade, então joguei a idéia do "Dia de Beleza". Até um grupo no facebook foi criado. O evento acabou tomando proporções gigantescas. Muitas pessoas no domingo me perguntaram como eu contatei todas aquelas 40 e poucas pessoas que estavam aqui e até agora não sei responder. Na verdade a única explicação é: DEUS.
Foi incrível o que esse grupo fez! Todas as doações que conseguiram, tudo o que eles compraram, tudo o que eles prepararam... Pessoas que trabalham pra caramba durante a semana, preparando tantas coisas no seu tempo livre, pedindo doações no trabalho, na família, amigos e etc. Cabelereiras e maquiadoras, depois de ralarem a semana toda, passaram o domingo fazendo o cabelo e maquiagem das 13 meninas quase sem comer (elas foram almoçar às 14:00!!!). Tudo isso para abençoar 13 meninas que eles nem conheciam! Sabe quando fala na bíblia que o amor de Deus nos constrange? Pois o amor e a disposição dessa galera me constrange. Aprendi muito com eles! Com toda a certeza, não soube expressar o quanto eu estava grata pela vida deles e por tudo o que eles fizeram. Fico pensando se é possível mesmo expressar o quanto sou grata pela vida deles...
As meninas ficaram semanas  me perguntando sobre o "Dia de Beleza" e estavam tão ansiosas que mal podiam esperar. Nós começamos a manhã com um delicioso café da manhã preparado pela equipe. Logo depois, levamos as meninas para uma sala, aonde a Joyce conversou com elas. Eu nuca vi uma pessoa com um talento tão grande para conversar com pessoas de comunidades! (Joyce, quando eu crescer quero ser igual a você!) As meninas simplesmente ficaram em silêncio (quem conhece essas meninas sabe que isso é algo quase impossível de acontecer!) e a Joyce compartilhou um pouco da sua história com elas. Digamos que foi apenas tudo o que elas precisavam ouvir! Quando a Joyce acabou, elas estavam prontas para começar o tão esperado "Dia de Beleza". Elas tiveram suas unhas feitas, maquiagem de primeira qualidade, arrumaram o cabelo, ganharam roupas e no final, um book para elas sempre lembrarem desse dia e de como são preciosas para Deus. Para encerrar, a Nickolle fez uma apresentação de ginástica rítmica que foi simplesmente MARAVILHOSA! E depois as meninas ganharam um kit com produtos de higiene e beleza, além de um livrinho com dicas sobre como cuidar melhor da pele, do cabelo e etc.
Além disso, teve uma galera maravilhosa que ralou pra caramba no suporte da equipe que estava produzindo as meninas, cozinhou, cortou milhares de frutas, carregou coisas, limpou e fez MUITA coisa!
Definitivamente foi um dia inesquecível, para as meninas com certeza, e para nós missionários também. Como é bom saber que não andamos sozinhos e que podemos contar com a ajuda de um pessoal assim. Como eu disse para eles: Num mundo que não se importa, eles são a exceção! Não tenho palavras para agradecê-los! Muito obrigada mesmo! Vocês são 10! E não vejo a hora de fazermos outro evento juntos!
Quero compartilhar algumas fotos do dia e mal posso esperar para ver as fotos dos books das meninas!

Joyce e as meninas no começo da manhã


Galera abençoada que ralou na cozinha sempre com um sorriso no rosto!

Cores


Expectativa daquelas que estavam aguardando a vez

Alegria de se sentir bonita!


Nickolle trazendo mais beleza ainda para o dia com sua apresentação

Kit beleza


Isaac, Sergio e Vanessa com as meninas produzidas e com o kit beleza

sábado, 17 de setembro de 2011

Esperar é Caminhar - Uma Reflexão

Você também tem essa mania de ouvir a mesma música um milhão de vezes? Eu tenho. Quando uma música combina com um momento que estou vivendo, pode ter certeza de que ouvirei apenas ela por uma semana, talvez um mês ou quem sabe três meses...?
A minha trilha sonora dos últimos dias tem sido "Esperar é Caminhar" do Palavrantiga. Esperar é caminhar. Tão difícil chegar à essa conclusão, revelação, certeza. Nossa vida é tão incerta. Não sabemos o que acontecerá daqui a cinco minutos. Podemos planejar, mas não sabemos o que acontecerá. A nossa confiança deve estar no nosso Pai Celestial. Ele sabe o caminho e sabe o que é melhor para nós. No Salmo 139 diz que todos os dias da nossa vida já estão escritos e isso me traz uma segurança imensa!
Nos últimos dias andei meio triste por algumas coisas que aconteceram e algumas dficuldades. Mas Deus não esquece de mim nem por um segundo. Eu nunca sei como Ele fará as coisas ou falará comigo, mas Ele sempre faz e fala.
Algumas vezes as coisas parecem meio caóticas, bagunçadas e  temos a impressão de estar parados no mesmo lugar. Mas duas coisas aprendi nesses últimos dias:
1) Esperar em Deus é caminhar;
2) Deus trabalha a partir do caos;

Nosso pastor, no domingo passado, pregou sobre gênesis e falou algo que me "pegou". Não consegui parar de pensar nisso durante essa semana toda. "Porquê Deus não criou a terra toda perfeita logo no primeiro dia?" Ele poderia ter feito isso! Mas não. Como um artista, Ele começou do caos, do sem forma e criou algo magnífico!
Deus sabe o que faz. Está tudo bagunçado? Está difícil? Você ainda não conseguiu ouvir Deus? Tenha a certeza que Ele está trabalhando. Como um artista com mãos calejadas, unhas sujas de tinta e argila,  roupas batidas, usadas, cheias de respingos de tinta formando um mosaico colorido, Ele está trabalhando na sua vida. Espere Nele e caminhe. Esperar é caminhar, lembra?
Olhando as minhas fotos, encontrei uma que foi a combinação ideal para minha trilha sonora. Essa foto logo abaixo foi feita no parque mangabeiras durante a visita de uns amigos nossos. Esse menininho é o filho deles. Ele está num país desconhecido (eles são da Holanda), em um lugar onde nunca andou, com pessoas que ele conheceu há poucos dias. Mas ele vai confiante, segue em frente sem medo, sabe por quê? Porque seus pais estão logo atrás dele, cuidando, protegendo e fazendo de tudo pelo bem estar do seu filhinho. Ele anda confiante, pois sabe que seus pais estão lá cuidando dele. E assim é o nosso Pai. Caminhemos com confiança, mesmo em meio ao caos, mesmo no silêncio de Deus! Esperemos e caminhemos.

Esperar é Caminhar

Palavrantiga                            

Quando espero a chuva chegar
Tu vens com o teu vento
Quando espero tua voz estrondar
Tu vens com o silêncio
'
Eu espero em Ti
Embora sem saber
Como Tu dirás eu não sei
Mas esperarei

Quando espero o mar se abrir
Vejo os meus pés sobre as águas
Quando espero o fogo arder
Ouço a brisa suave

Mesmo sem saber como Tu dirás
Dentro de mim reinará a Tua paz
Que me faz saber
Que esperar em ti
É sempre caminhar

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Fotos que fazem bem ao coração - Um pouco de beleza para seu fim de semana!

Hoje estou MUITO cansada! Meu corpo todo dói um pouco por causa da gripe, um pouco por causa que foi uma semana pesadíssima de trabalho. Então resolvi que quero um pouco de beleza. Quero ver coisas bonitas, quero apreciar a beleza da criação, quero ver construções bonitas, quero beleza. Não sei você, mas beleza me faz relaxar e me sentr feliz. Separei algumas das minhas fotos que me fazem bem e quero compartilhá-las com vocês. Espero que elas tragam alegria e façam bem ao coração de vocês. Abraços e bom fim de semana!













*Proibida a reprodução ou uso dessas fotos sem a minha autorização.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Voz da Comunidade - Daniel

É com muita alegria que compartilho com vocês, meus fiéis leitores, mais uma história da coluna "Voz da Comunidade". Particularmente gostei muito da história do Daniel. Uma história de dificuldades, sim, mas também de superação!
Daniel nasceu em São Paulo, morou na Bahia e agora vive na comunidade do Cafezal por 16 anos. Mora apenas com o pai, pois sua mãe morreu ao dar à luz ao seu segundo filho. O pai sofreu um acidente há muitos anos atrás e precisou de um tratamento específico, por isso eles vieram morar em Belo Horizonte. Daniel foi um dos muitos meninos que passaram pelos grupos da Casa Luzeiro e hoje ficamos muito felizes ao ver tudo o que ele já conquistou e seu potencial para conquistar muito mais!
Com vocês, Daniel.





Kelly: Daniel, conta para nós um pouquinho da sua história .
Daniel: Minha infância foi boa. Mas quando eu vim para BH já tinha quinze anos. Fiquei sabendo que tinha um projeto aqui que era a Casa Luzeiro, mas na época todos chamavam o projeto de Jan (nome do fundador da Casa Luzeiro. Até hoje muitas pessoas conhecem a Casa Luzeiro como Jan.). Naquele tempo o Osvaldo era o líder. Ele me viu jogando futebol, gostou e me chamou para participar dos grupos. Paricipei das atividades na Casa Luzeiro por três anos, mas depois tive que sair, pois já estava com dezoito anos. Então, como não estava estudando e trabalhando, o Osvaldo me convidou para trabalhar no projeto. Trabalhei aqui por quatro anos. Tive que sair e trabalhei fazendo bicos por mais quatro anos. Até que arrumei esse emprego no projeto 'Escola Integrada". Já faz um ano que trabalho lá.

Kelly: Como foi para você participar de um projeto social? Você acredita que isso contribuiu com algo na sua vida?
Daniel: Sim! Graças ao projeto social consegui muitas coisas na minha vida, inclusive minha casa. Eu trabalhava aqui e fazia artesanato com madeira. Isso me deu um renda muito boa. Eu dava o dinheiro para o meu pai e ela guardava para mais tarde usarmos. Até hoje faço isso. Pego meu salário, separo um pouco para mim e dou o resto para o meu pai comprar o que precisamos, por exemplo: um sofá novo, alguma coisa para a casa...
Eu sempre tive muitas encomendas para meu artesanato. Muitas pessoas queriam comprar o que eu fazia. Sempre deixava meus artesanatos expostos aqui na Luzeiro. Aí as pessoas viam e faziam as encomendas.

Kelly: Como você aprendeu a fazer artesanato em madeira?
Daniel: Foi o Osvaldo mesmo que me ensinou, quando eu participava do grupo aqui na Casa Luzeiro. No começo eu não gostava, só pensava em jogar futebol. Mas depois comecei a ver os meninos fazendo, achei legal e resolvi fazer também. O Osvaldo foi meu primeiro cliente! Vendi muito! Meus trabalhos hoje estão em vários países com Holanda, Japão e Inglaterra. Foi com esse dinheiro que consegui comprar a casa onde meu pai e eu moramos hoje. Meu pai também juntava dinheiro. Quando compramos a casa, tinha apenas um andar. Agora já tem três. O primeiro é para alugar, o segundo é onde moramos e o terceiro é só para meu pai cuidar dos passarinhos dele. Ele é aposentado e gosta muito de cuidar dos passarinhos.

Kelly: Então o tempo que você passou aqui foi bom para você?
Daniel: Com certeza! Foi muito bom. Lembro dos campeonatos de futebol, as olimpíadas que participávamos... Foram momentos marcantes para mim.

Kelly: Me conta sobre sua históia com o futebol. Até hoje ouço muitas pessoas falando do talento que você tinha para jogar futebol.
Daniel: Gosto muito de futebol e jogo muito bem desde pequeno. Quando as pessoas me viam jogando, me comparavam à jogadores como o Sávio e até me davam apelidos com nomes de jogadores de futebol. Fiz testes para o Cruzeiro, Atlético Mineiro e América, mas não passei.
(Nota: Tijs, meu marido, sempre comenta que nunca viu um menino jogar futebol como o Daniel. O talento dele era notável!)

Kelly: Qual foi o motivo pelo qual você não passou nos testes?
Daniel: É por que na época não tinha um padrinho, alguém que me apoiasse. Acredito que se tivesse alguém que me ajudasse, poderia ser um jogador de futebol hoje.

Kelly: Como você se sente em relação à isso?
Daniel: Ah, acredito que foi da vontade de Deus que não desse certo.Se não aconteceu foi por que Deus não quis, pois Ele tinha outros planos para mim. Deus sabe todas as coisas.

Kelly: Mas você continua trabalhando com esportes, certo?Daniel: Sim, eu fui indicado para trabalhar como monitor de esportes no projeto "Escola Integrada". Eu me identifico muito com esse trabalho, pois gosto de trabalhar com crianças e adolescentes e gosto muito de esportes.

Kelly: O que te motiva a trabalhar com crianças e adolescentes na área de esportes?
Daniel: Eu acredito que o esporte pode dar uma nova perspectiva de vida para as crianças. Tem muita coisa errada acontecendo e se as crianças têm o foco nos esportes, não terão tempo para se focar nas coisas erradas.

Kelly: Eu fiquei sabendo que você prestou vestibular, passou, mas não conseguiu começar a faculdade. Como foi isso?
Daniel: Eu prestei vestibular para Educação Física na faculdade Izabela Hendrix. Fui fazer a prova meio desanimado, pois pensei que não sabia nada. Fazia três anos que havia parado de estudar. Fiz toda a prova e deixei a redação por último. Nunca gostei de redação quando estava na escola, mas quando comecei a escrever tive muitas idéias e quando dei por mim a redação já estava pronta! Depois de alguns dias, muitas pessoas vieram me dar os parabéns pois eu havia passado no vestibular em primeiro lugar! Mas como estava desempregado na época, não pude começar a faculdade. Nem deu para trancar ou fazer alguma coisa. Tentei conseguir uma bolsa também, mas olharam para outras pessoas e não para mim. Aí não deu para fazer faculdade.

Kelly: E agora, qual é o próximo passo?
Daniel: Vou fazer vestibular de novo! Agora tenho um emprego e vi que tenho potencial. Por isso vou tentar de novo para Educação Física. É passar e seguir adiante!

Kelly: Você quer mesmo investir na área dos esportes?
Daniel: Sim, muito. Quero me formar e dar aulas em escolas.

Kelly: Você pensa em trabalhar em projetos sociais em comunidades carentes?
Daniel: Sim. Pode ser aqui ou outra comunidade que não conheço. Eu quero muito trabalhar com projetos sociais. Investir na vida das crianças assim como investiram na minha vida.

Kelly: Como você vê a comunidade?
Daniel: Eu fico um pouco triste, pois vejo muita coisa errada acontecendo. Vejo meninos se perdendo nas drogas. Não sei o que precisa mudar aqui para tirar esses meninos dessa vida. Eu moro aqui por muito tempo e conheci muitos meninos desde pequenos que já não estão mais aqui, mas perderam suas vidas para as drogas. São poucos os que escolhem o caminho certo. Eu acho que isso é uma das piores coisas que acontece aqui. Acho que seria bom ter cursos e outras coisas que dessem uma nova perspectiva à esses meninos. Mas não é só coisa ruim. Tem lugares como a Casa Luzeiro, tenho amigos com quem posso contar e não tenho nada para reclamar daqui. Você sabendo andar direitinho é um bom lugar para morar.

Kelly: Quais são seus planos para o futuro?
Daniel: Fazer faculdade, me formar, trabalhar, casar, formar uma família...Só que isso é mais para o futuro. Agora quero estudar e trabalhar.

Kelly: Bem, já estamos encerrando. Você gostaria de deixar uma mensagem para quem está lendo esta entrevista?
Daniel: Sim. A Comunidade não é do jeito que as pessoas pensam, só violência. Tem muita coisa boa aqui. E também agradeço àqueles que me ajudaram e as oportunidades que me deram e por ter participado da Casa Luzeiro. Muito obrigado.



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Trust - O lado escuro da internet

No final de semana assistimos a um filme que me deixou, de certa forma, perturbada. O filme é Trust (não sei como o título foi traduzido para o português, mas na tradução literal significa "Confiança") e conta a história de uma adolescente que conhece um menino em um chat na internet. Bem, não vou contar aqui todo o filme, mas já dá para ter uma idéia do que acontece.O filme realmente te faz pensar. Quem são as pessoas que conversam com você nas redes sociais? O que acontece com as fotos que você coloca na internet? Quantas pessoas lêem o que você escreve? É um pouco assustador quando você começa a pensar. É claro, que precisamos saber com quem nos relacionamos na internet e pensar muito bem sobre o que colocamos em redes sociais. Creio eu, que para um adulto bem resolvido isso não é problema. Mas fico imaginando que adolescentes, crianças e pessoas muito solitárias são presas fáceis para crimes na internet. Quantos pais não fazem a mínima idéia do que seus filhos vêem na internet? Com quem conversam, com quem se relacionam? Isso é coisa séria! Se você tem filhos que acessam a internet com frequência, por favor, fique atento! Não fique aceitando                                                                                                     todo mundo que te envia um convite de "amizade" nas redes sociais. Este post não é para criar pânico, ou significa que fiquei paranóica por ver esse filme, mas precisamos ter muito cuidado com nossa vida virtual. Não podemos simplesmente confiar em todo desconhecido que conversa conosco na internet.
Todos os dias, rejeito convites de "amizade" no facebook. Não gosto e não quero aceitar desconhecidos nas minhas redes sociais. Peço que se você me enviar um convite, escreva junto uma mensagem dizendo de onde me conhece e porquê quer ter meu contato.
Redes sociais são boas quando são usadas devidamente. Esses dias atrás alguém publicou no facebook algo assim: "Redes sociais: domine, não seja dominado". Não tem algo que eu concorde mais! Eu gosto muito de usar a internet, inclusive a uso bastante por causa do nosso estilo de vida. Como missionários que dependem de suporte financeiro de amigos e igrejas, é preciso que informemos claramente o que estamos fazendo e como está nossa vida no campo missionário. Para isso, as redes sociais só vieram a acrescentar. Mas ainda sim, é preciso tomar muito cuidado. Uma coisa tenho certeza, nada substitui o olho no olho, o conhecer pessoalmente. Sei que ainda tem muita gente que é enganada dessa forma, mas o risco é bem menor. Que Deus nos ajude a proteger nossas crianças e pessoas vulneráveis a esse tipo de crime. E que sejamos sábios a respeito da nossa vida virtual. Fica aí a dica!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mulheres Sofrem Mais Que Homens


Demorei um pouco para poder escrever sobre isso. Não posso dizer que já digeri tudo o que ouvi, mas fui capaz de colocar alguns pensamentos no lugar. Cinco anos de comunidade e ainda me surpreendo com certas coisas que ouço.
Comecei a semana falando sobre relacionamentos. Sabe como é, definição de namoro, noivado e casamento, o que é "ficar" e por que não concordo com isso, mostrei meu albúm de casamento e outro que eu mesma fiz com fotos desde quando conheci o Tijs até a nossa lua de mel, falei versículos bíblicos e etc. Foi um bom estudo bíblico, penso eu. Quando se fala desse assunto, pode ter certeza que não faltarão perguntas e olhos e ouvidos bem atentos a tudo o que você faz e diz.
Durante o grupo, tive problemas com uma menininha que me chamou de folgada simplesmente porque disse que ela mesma deveria carregar seus patins de volta à despensa. Ela gritou aos quatro ventos: "Essa fessora FOLGADA, FOLGADA, FOLGADA!! E por mais que eu pedisse para ela parar, minha voz parecia não surtir efeito algum. Então tivemos que segurá-la alguns minutos a mais depois que as outras meninas foram embora para conversar sobre o comportamento dela. No começo ela estava relutante em se desculpar. Disse que gente ruim (eu) era nada para ela e que considerava menos que cachorro. Depois de muita conversa, ela decidiu se desculpar. Não lembro exatamente como entramos na conversa, mas ela começou a contar sobre a vida dela em casa. Não quero falar tudo o que ela nos contou, mesmo por que, quero preservá-la. Mas acredite-me, essa menina já aguentou muito mais do que muito adulto nesse mundo. Em certo momento ela falou: "Ô fessora, um dia eu estava conversando com minha mãe, um dia que ela não bebeu, que seria muito legal se o mundo fosse assim: Quando as mulheres fossem sofrer, virassem homem e nos momentos bons, virassem mulher de novo!". Eu achei muito estranho e perguntei "Você acha que mulher sofre?" ela respondeu "sim!". Perguntei de novo "E você acha que homem não sofre?" ao que ela respondeu "claro que não"!
Por um momento me senti ridícula por todas as coisas que eu falei sobre relacionamentos e sobre um bom casamento quando na verdade as expectativas dessa criança de apenas 9 anos de idade, já estão mortas e é feito um esforço diário para mantê-las mortas. É claro que depois recuperei o bom senso e pensei "Não importam as circunstâncias que essas meninas vivem, preciso falar a Verdade de Deus". Devo, sim, continuar falando sobre bons relacionamentos, homens que servem as mulheres e não as fazem sofrer, que não as enchem de filhos e depois as abandonam como se fossem um sapato velho. Mas, a pergunta que não quer calar: Como falar de esperança para crianças que já têm suas esperanças mortas? Que dia após dia observam e vivenciam experiências de dor, abandono, violência, sofrimento e abuso? Crianças que vivem em um ambiente onde mulheres sofrem, sim, e tem que sofrer calada, por que a vida é do jeito que é?
Meu coração dói ao imaginar quanta coisa ela já viu, para ter uma mentalidade dessas. No outro dia de grupo, acabamos entrando no assunto de nascimento de bebês e alguém comentou que as mulheres sofrem para dar à luz. Na mesma hora ela apontou o dedo para mim e disse: "Depois a Kelly vem me falar que mulher não sofre!" E parece que a maioria das meninas tem a mesma opinião. Uma delas falou: "Não acho que sofre mais, mas que trabalha muito mais que os homens, isso com certeza!"
Só Deus mesmo para nos ajudar a tocar a vida dessas crianças já tão machucadas e calejadas. Só Deus mesmo para dar vida e futuro para elas. Só Nele, nosso Refúgio e Fortaleza, podemos encontrar o que nós e essas menininhas precisamos: Esperança!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pense antes de repassar!

Eu gosto muito das redes sociais e tento fazer um bom uso delas. É bom manter contato com tantas pessoas, fazer novas amizades, ter uma maneira rápida de contatar a família, manter as pessoas informadas sobre nossa vida em missões, enfim, são muitos os benefícios. Mas quase todos os dias fico impressionada com o tanto de abobrinhas que leio nos perfis. As pessoas vão repassando frases, citações, sem nem pensar direito. Teve uma citação em especial que me incomodou muito e que foi um "sucesso". Muitas pessoas colocaram isso no seu perfil, inclusive cristãos (o que me deixou mais impressionada ainda!). A citação é a seguinte:
"Se algumas pessoas se afastarem da sua vida, não fique triste. É apenas a resposta de sua oração quando pediu: Livrai-me de todo mal amém!!!"
Como que pode alguém em sã consciência usar a oração do Pai Nosso, uma oração comunitária, para pregar inimizade? Quando Jesus diz "Pai nosso" e "pão nosso", Ele está mostrando algo bem importante e definitivamente não é ficar feliz por que as pessoas se afastam de nós, mas que a unidade é fundamental na a adoração a Deus.
Meu pastor publicou algo no perfil dele no facebook, que até agora estou aplaudindo, e na verdade fez tanto "sucesso" que só de pessoas que compartilharam e citando o nome dele, foram 14! Ele disse assim:


"se as pessoas se afastam de você... não espante a tristeza muito rápido, como alguns andam sugerindo no FB. Pode ser sim que Deus tenha te livrado do mal, mas pode ser também que ele tenha livrado OS OUTROS de você. Então seja humilde e ore antes de repassar bobagens arrogantes pelo FB. É perigoso assumir que andamos com Deus dentro do nosso bolso!"


Precisa falar mais? Precisamos parar de repassar bobagens que não fazem sentido nenhum, não mostram o caráter cristão e são ridículas!
Ainda tem mais frases bobinhas como: "Quando você pega a Bíblia, o diabo tem dor de cabeça. Quando você abre, ele tem um colapso nervoso. Então você começa a ler, ele desmaia. Aí você começa a vivê-la, ele foge. E quando você estiver prestes a copiar isso, ele tentará te desencorajar. Eu desafio você a fazer isso. Cole isso no seu mural se você faz parte do exército de Deus."
Isso nem é bíblico!
Tem alguns contatos meus no facebook que eu realmente paro para ler o que eles escreveram, pois sei que sempre posso aprender algo. E é tão bom quando aprendemos algo com pessoas que compartilharam coisas interessantes. Navegar pela internet não se torna uma simples perda de tempo.
Compartilhe mensagens que realmente ajudarão alguém, escreva coisas interessantes, ensine, faça amizades, use as redes sociais para o bem, e pelo bem de todos que lerão as coisas que você escreve no seu perfil, por favor, pense antes de repassar!