terça-feira, 22 de maio de 2012

Treze Anos de Saudade

Há treze anos, numa manhã fria de sábado meu mundo mudava para sempre. Tive que dizer adeus para a pessoa mais importante da minha vida, a minha mãe.
Meu nome... foi a última palavra que saiu dos lábios dela. Jamais serei capaz de esquecer.
Você acha que com o passar do tempo as coisas irão melhorar... Mas não. Claro que aprendemos a conviver com a falta daquela pessoa, mas a dor... ah, essa nunca passa. Agora mesmo enquanto escrevo mal posso ver a tela do computador por causa das lágrimas. Dá vontade de gritar, de ir para algum lugar onde a dor não seja tão forte. Queria que a dor saísse um pouquinho com cada lágrima chorada nesses treze anos. Mas não. Ela não vai embora.
De uma adolescente normal, cuja a única preocupação era passar de ano, tive que me transformar numa adulta preocupada em colocar comida na mesa.
Minha vida nunca mais foi a mesma e a morte da minha mãe marca até hoje os meus dias e definiu para sempre quem eu sou.
Como eu sinto falta dela!


 
Dor que nunca sara.
Dor que nunca acaba.
Lágrimas que nunca secam.
Saudade que nunca vai embora.
Lugar que nunca será preenchido.

Minha heroína.
Meu maior exemplo.
Meu amor eterno.
Minha mãe.




Ela não gostava dessa foto, mas é uma das minhas preferidas. Ela tinha 21 animhos e eu tinha acabado de nascer. Amo os olhos dela. Jamais esquecerei o azul profundo dos olhos dela. Lindos. Eu gosto de ver ela assim, tão novinha, começando a vida de mãe. E como ela foi uma boa mãe!










segunda-feira, 14 de maio de 2012

Voz da Comunidade - Dona Maria do Socorro


Sabe quando as pessoas marginalizam as comunidades carentes, ou as ditas, favelas? "Ah, todo mundo é bandido", "Tá nessa vida por que quer", e por aí vai... Eu simplesmente AMO contradizer essas pessoas e jogar-lhes na cara exemplos de vida que deixam qualquer pessoa boquiaberta. Eu não nego a criminalidade em uma favela. Eu sei bem o que acontece dentro de uma comunidade carente, mas existem tantas pessoas com histórias de superação incríveis que dá orgulho de poder conhecer essas pessoas. 


É o caso da dona Maria do Socorro, mais conhecida por mim como "vizinha". Todos os dias eu passo em frente à casa dela e a vejo trabalhando arduamente nos seus recicláveis. Do outro lado da rua eu grito: "Oi vizinha!" ela me responde: "Oi vizinha! Tudo bem?" com um baita sorriso no rosto. Sempre!
Algus dias atrás, sentei com ela em frente a sua casa, no meio de sacos gigantescos de recicláveis e ouvi um pouco da sua história. É incrível as lições que você aprende com essas pessoas. "Heróis anônimos", como eu gosto de chamar.
Com vocês, dona Maria do Socorro - a vizinha.



Kelly: Vizinha, conta um pouco da sua história.
D. Socorro: Eu sou de Ataléia, BA. Quando tinha três anos de idade, minha mãe pegou meus três irmãos e foi embora, me deixando com o meu tio que me pôs para trabalhar cuidando dos filhos dele.

Kelly: Mas você só tinha três anos? Como é possível?
D. Socorro: Sim, tinha três anos e já trabalhava cuidando dos filhos do meu tio.

Kelly: Você sabe para onde sua mãe foi? Teve algum contato com ela depois disso?
D. Socorro: Não. Nunca mais a vi. Eu lembro que uns três dias antes eu vi meu pai indo embora. Ele botou a enxada nas costas e pegou meio pacotinho de sal e foi embora. Depois a minha mãe pegou meus irmãos e foi para Brasília, eu acho. Eu nunca quis saber deles, pois a minha mãe me deixou. Como que pode ela levar meus irmãos e me deixar? Eu tenho 53 anos hoje e nunca mais ouvi falar de ninguém da minha família. ( É possível ver a dor nos seus olhos marejados de lágrimas. 53 anos e ainda tanta dor pelo abandono...)

Kelly: Você passou muito tempo com o seu tio?
D. Socorro: Não. Eu apanhava muito dele. Quando eu fiquei um pouco maior, fui trabalhar em casa de família. (o "um pouquinho maior" a que ela se refere é por volta dos 5 ou 6 anos de idade).



Kelly: E como foi trabalhar para os outros?
D. Socorro: Ah, foi muito difícil. Eu trabalhava demais. Eu ainda não sabia cozinhar direito e teve um dia que meu arroz ou feijão, não lembro, ficou muito salgado e meu patrão jogou um prato de louça na minha cara. Cortou bem feio e ficou muito inchado. Eu nem fui no médico. Fiquei vários dias com meu rosto muito inchado (até hoje dá para ver uma grande cicatriz próxima ao olho). Também eu apanhava demais. Eu ainda era uma criança e não sabia fazer as coisas direito, aí eles me batiam.

Kelly: Você ficou por muito tempo nessa casa?
D. Socorro: Não. Quando eu tinha 10 para 11 anos vim para Belo Horizonte com meu irmão de criação. Quando chegamos aqui, nos separamos e eu não soube mais dele. Fiquei trabalhando em casa de família por um tempo e guardando dinheiro. Quando eu tinha onze anos consegui comprar meu primeiro barraco e fui morar sozinha. Durante a semana ficava com a família para a qual eu trabalhava e nos finais de semana ficava no meu barraco.

Kelly: Você tem uma família hoje, né?
D. Socorro: Sim. Tive 8 filhos, mas um deles morreu. Eu nunca maltratei meus filhos, pois o que eu passei na vida não desejo para ninguém. 



Kelly: O que aconteceu com o seu filho?
D. Socorro: Ele vendeu um celular para uma pessoa e foi cobrar essa pessoa e acabou levando 3 tiros no peito. Ele tinha 21 anos. Dói muito você ver seu filho morto (apenas duas vezes a expressão da D. Socorro muda extremamente e seus olhos enchem de lágrimas: quando fala do abandono da sua mãe e a morte do seu filho).

Kelly: Você foi casada?
D. Socorro: Nunca casei. Nunca nem quis saber de casamento. Quando meus namorados falavam de casamento eu botava eles para fora.

Kelly: Por quê?
D. Socorro: Ah, cansei de ver homem batendo em mulher, furando elas de faca. E eram mulheres que tinham família! Imagina eu, uma mulher sem família, sem ninguém? Poderiam me matar que ninguém iria perceber. Iria apodrecer sozinha lá no meu barraco. Não quero nem saber de casamento.



Kelly: Quando você começou a trabalhar com reciclagem?
D. Socorro: Ah, desde os 15 anos. Aonde eu estava eu sempre juntava as minhas coisas. Sempre amei trabalhar com recicláveis.

Kelly: Como é o seu trabalho hoje?
D. Socorro: Eu não tenho hora para terminar de trabalhar. Eu gosto muito do que faço. Gosto da correria, de carregar peso, de fazer amigos. Aonde eu vou estou trabalhando. Quando tem festa na comunidade as pessoas vêm aqui em casa me chamar para eu ir recolher meus recicláveis. Todo mundo aqui na comuidade me conhece e me ajuda a juntar as minhas coisas.
Tem os dias que eu saio para juntar meus recicláveis e tem os dias que eu fico em casa para separar as coisas.



Kelly: E como você faz para trazer os sacos lá de baixo?
(Como moramos em um morro, ela vai na avenida que fica "no pé do morro" para recolher as embalagens recicláveis. Juntar não é o problema, o que eu imaginava que seria uma dificuldade é subir o morro carregando os sacos gigantes de recicláveis!)
D. Socorro: Eu junto tudo o que eu posso e marco um horário com o meu vizinho para ir buscar. Eu não trabalho com o carrinho por que não tem como subir o morro carregando tanto peso. Aí o Anísio (o vizinho) vai lá e pega para mim e eu pago o combustível. Um ajuda o outro. O Anísio também trabalha com reciclagem. Tem recicláveis que eu não trabalho, aí eu dou para ele e assim a gente vai se ajudando. Nós entregamos os produtos para empresas diferentes.



Kelly: Como funciona a entrega dos seus recicláveis?
D. Socorro: Vem um caminhão a cada duas semanas para buscar tudo o que eu juntei e leva para uma empresa no Barro Preto (um bairro daqui de BH).

Kelly: Quando você descansa?
D. Socorro: No sábado eu não faço nada! É meu dia de descanso. E no domingo a noite eu vou à igreja. Eu vou à igreja três vezes por semana.

Kelly: Você gosta do seu trabalho?
D. Socorro: Eu adoro o que faço! Meu trabalho é muito precioso para mim. Peço a Deus força, coragem e disposição todos os dias, por que eu preciso de muita disposição para fazer o meu trabalho.
(Em outra ocasião em que eu conversei com ela, lembro que D. Socorro disse sobre o seu trabalho o seguinte: "Eu acho que meu trabalho é um trabalho muito digno. Reciclar lixo é como salvar uma vida. Cada vez que tiro uma garrafa de plástico da rua sei que estou salvando uma vida".)



Kelly: Qual é o seu sonho?
D. Socorro: Meu sonho é cuidar dos meus filhos, continuar trabalhando e arrumar a minha casa. Quero bater uma laje e morar em cima e deixar a parte de baixo para guardar meus recicláveis que agora ficam na rua. E quem sabe um dia ter uma lanchonete para vender salgados.



Eu encerrei a conversa com uma "Mini sessão de fotos". D. Socorro estava muito empolgada e se arrumou para fazer as fotos. Arrumou o cabelo e passou baton. Ela que decidia como queria tirar as fotos.

Foi uma conversa de cerca de 1 hora, mas que me fez admirar ainda mais essa mulher que tinha tudo para dar errado na vida, mas escolheu trabalhar e vencer na vida com o suor do seu trabalho honesto. Tenho muito orgulho dela. Para mim ela é uma vencedora!







sexta-feira, 11 de maio de 2012

Crise de Homens

Meu marido mostrou esse vídeo na semana de aula sobre o Valor da Mulher, na escola de Desenvolvimento Comunitário. Eu achei bem interessante e relevante. Vale a pena assistir e refletir sobre esse assunto.


                                        Bom fim de semana!!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Bem-te-vi


Todas as manhãs começamos com intercessão. Todos os dias um motivo diferente de oração. Hoje nosso motivo de oração era pelos bebês que ainda não nasceram. Um dos missionários que trabalha aqui no centro comunitário, que estava liderando esse tempo, começou a compartilhar algumas histórias. Ele tem um grupo para viciados em drogas, álcool e moradores de rua. Tem duas mulheres que frequentavam o grupo dele que estavam grávidas. Ele nos disse que por mais que essas mulheres quisessem muito ser mãe e cuidar dos seus bebês, não conseguiam parar de usar crack e álcool. Eventualmente essas duas mulheres acabaram perdendo seus bebês. Uma delas entrou em depressão profunda e não queria mais sair da cama. Ontem ela veio aqui e participou de um curso. Ela até sorriu e se divertiu um pouco, apesar de três minutos depois de ter chegado aqui, já queria ir embora. Uma das alunas da FDC que viu essa mulher comentou que viu tanta tristeza no olhar dela que nem sabia o que fazer.

Enquanto estávamos no nosso grupo de oração, pensando e clamando a Deus por essas mulheres e tantas outras que ainda estão grávidas mãs não conseguem se livrar do seu vício, por esses bebês que ainda não nasceram, mas já tem tantos problemas, um Bem-te-vi, no topo de uma árvore cantava em alto e bom som, sem parar. Um lindo Bem-te-vi no topo de uma árvore verde contra o céu azul estufando seu peito e cantando o mais alto que podia. Isso me trouxe esperança. Beleza no meio da feiura. Esperança no meio do caos e do sofrimento. Existe um Deus.
Existe um Deus que olha para essas pessoas. Existem um Deus que conhece as suas histórias e até mesmo os bebês em formação dentro da barriga dessas mulheres.

Às vezes é muito fácil de perder a esperança quando se começa um dia com histórias assim, mas sempre haverá um Bem-te-vi cantando sem parar. Sempre haverá esperança, pois sabemos que existe um Deus!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Casa Luzeiro - 20 anos no Cafezal

Já passou algum tempo, mas acho que ainda é válido contar para vocês como foi a comemoração dos 20 anos da Casa Luzeiro aqui no Cafezal.
A equipe preparou uma festa bem grande e contou com a ajuda de várias pessoas: alunos da FDC, familiares dos alunos, pessoas de outras bases da JOCUM e muito mais. A comunidade participou em peso e se divertiu e celebrou muito.
O objetivo da festa era mesmo celebrar junto com a comunidade e que a mesma pudesse participar e se divertir. Muitas famílias vieram trazendo seus filhos. Havia diversão para a família toda com jogos e muita comida!
No final da festa, Felipe, que é o líder do centro comunitário, deu uma pequena palavra sobre a razão da Casa Luzeiro existir: Por que Deus ama cada pessoa dessa comunidade e tem um sonho para cada uma delas. Depois teve um tempo de oração e, é claro, "parabéns a você" e bolo, como numa boa festa de aniversário!
Por volta de 200 pessoas participaram da festa e foi realmente um momento de comemoração - obreiros e pessoas da comunidade celebrando as coisas que Deus fez na nossa vida através desse lugar que amamos tanto: A Casa Luzeiro!

Confira um vídeo que foi feito com testemunhos de pessoas que passaram pela Casa Luzeiro e foram impactadas por Deus.
 


E, é claro, muitas fotos! (Todas as fotos por Felipe Matias)
















segunda-feira, 7 de maio de 2012

"Já pensou se Ele nos achasse?"

No livro "Milagres" C.S.Lewis diz o seguinte:

"Chega uma hora em que as pessoas ficam brincando com a religião ("a famosa busca do homem por Deus"), de repente, voltam atrás: "Já pensou se nós o encontrássemos mesmo? Não é essa a nossa intenção! E, o pior de tudo, já pensou se ele nos achasse?

Ontem eu estava na igreja, sentada no meu cantinho durante o louvor, refletindo sobre uma música que estávamos cantando, quando de repente essa verdade caiu sobre mim: "Uau! É tudo verdade! Eu vou encontrar com Jesus um dia! Vai chegar a minha hora!" Eu simplesmente amo essas epifanias!

É engraçado como vivemos nosso cristianismo tão normalmente e de repente essa verdade nos choca, de que existe um Deus e que vai chegar o dia em que eu e você O encontraremos. Eu senti como se estivesse num show com o meu cantor favorito e em algum momento alguém falasse para mim: "Olha, fulano está te convidado para entrar no camarim". No caso, o popstar é Jesus mesmo. Aquela sensação de medo, temor, curiosidade, empolgação e deslumbre de que alguém vai abrir a porta e eu vou poder ver a face daquele cara de quem eu só ouvi falar.  Aquele mesmo que curou várias pessoas, ensinou, fez tantas coisas que as histórias se tornaram muito conhecidas por mim e a maior de todas, se sacrificou por mim, se colocou no meu lugar em uma rude cruz e me reconciliou com Deus.



No interior tem um ditado que diz que "nascemos com uma única certeza na vida: a de que vamos morrer" ou ainda "Já nascemos com a nossa certidão de óbito preenchida, apenas não sabemos a data". Querendo ou não, temos um encontro marcado com Ele.


Cristo é real! O cristianismo não é apenas um estilo de vida ou aquelas pessoas estranhas que não podem fazer um monte de coisas. Ir à igreja todos os domingos não é apenas um ritual a ser seguido. Nossa existência aqui chegará ao fim um dia e não importa quem você foi aqui, naquela hora, ficará frente a frente com Ele. Aquele de quem ouvimos falar tanto. Aquele que até parecia ser um mito, mas é mais real do que eu e você.
Que esse tipo de epifania possa ser mais frequente na minha vida e na sua. Que não esqueçamos que não importa o quanto demore, chegará o dia em que estaremos face a face com Ele.


domingo, 6 de maio de 2012

Super Lua

Entrando na onda da "Super Lua" resolvi fazer um post com as fotos que fiz ontem. Quando ela saiu de trás da montanha, realmente estava imensa e linda, mas infelizmente nesse momento não estava com a minha câmera em mãos. Depois ela subiu e aos meus olhos era apenas uma lua cheia normal, só que mais clara (percebi isso por que tive que usar uma velocidade mais alta na câmera).
Quando deu 00:33 horas eu levantei e tentei ver a lua, mas não consegui, pois ela estava bem acima da minha casa e não tinha como vê-la. Talvez eu perdi o melhor momento da lua, mas fazer o quê, né?!
Enfim, super lua ou simplesmente lua, é sempre um espetáculo a parte vê-la tão linda sobre o morro ou entre as nuvens. Com vocês, o meu olhar da "Super Lua".

A "parte de trás" estava linda também! Mas o pôr do sol é sempre lindo!

Detalhe que só depois que eu fiz as benditas fotos é que fui ver que o sensor da minha câmera estava sujo... Nessa foto dá para ver umas sujeirinhas... =/