sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ciclo de Gritaria

Olá a todos!
Andei meio sumida do blog... Uns dias sem internet, uns dias um pouco doente, uns dias sem inspiração.
Mas cá estou, pronta para contar mais uma história sobre meu grupo e a cultura na comunidade do Cafezal.

 O Grito - Edvard Munch
Eu fico nervosa quando vejo um adulto gritando com uma criança. É algo que realmente não gosto. Confesso que durante minha infância minha mãe deu uns belos gritos comigo e com minhas irmãs. Lembro que me sentia muito envergonhada quando ela fazia isso, temendo que alguém que passava na rua ouvisse ela gritando comigo. Aqui na comunidade parece que é algo muito comum gritar com crianças. Você pode ver isso acontecer na rua, ouvir nas casas, está em todos os lugares. O interesante é que não apenas adultos gritam, mas crianças maiores gritam com crianças menores.

Meu banheiro compartilha os fundos com uma casa que não sei de quem é, não conheço os donos, mas posso ouví-los constantemente gritando com uma criança pequena. Não sei exatamente a idade da criança, mas sei que ainda não fala direito. Geralmente escuto gritos como: "Sai daqui sua peste! Já te disse que se você subir aí, você vai apanhar! Pára de chorar, agora!" E assim, por diante... Creio que nunca os ouvi falando mansamente com essa criança, o que me deixa muito incomodada.

Ontem no meu grupo, uma das meninas trouxe a sobrinha, que deve ser uns 4 anos mais nova que ela. Chegou com a história de que não havia ninguém para cuidar da menina em casa e pedindo para ela participar no grupo (isso acontece muito, mas às vezes elas estão mentindo, só para que os primos, irmãos ou amigos possam brincar na piscina). Aceitamos a menininha no grupo, só por aquele dia, mas deixei claro que ela não poderia entrar na piscina, não por que sou cruel, mas por que ela é menor que a piscina e não sabe nadar, então o risco de afogamento é muito grande. No finalzinho da aula de natação, quando todas as crianças estavam saindo da piscina, a menina que participa do meu grupo pegou a sobrinha e enfiou na água. Não uma, mas duas vezes! A menininha nem estava gostando e estava quase chorando. É claro que chamei a atenção da menina e dei uma disciplina por ter me desobedecido, mas o que me chamou a atenção foi a forma que ela falou com a sobrinha. Ela estava agindo como se fosse a mãe (não que eu ache que uma mãe deva agir dessa forma...), dando ordens, gritando, tratando a menininha como se ela fosse uma inútil e estivesse atrapalhando a vida dela. E foi assim até elas irem embora.

Eu fiquei pensando nesse ciclo de gritaria. Todo mundo grita com as crianças, as crianças aprendem e gritam com crianças menores, que aprendem a gritar também e gritarão com outras crianças e assim por diante. Como quebrar esse ciclo? Eu sei que posso dar meu exemplo e posso ensiná-las a fazer diferente. O impacto que terei... só Deus sabe.

É importante que comecemos a observar nosso próprio comportamento. Como tratamos as crianças? Como é o nosso tom de voz ao disciplinar, ao chamar a atenção? Elas estão observando e repetindo tudo  que fazemos!










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