quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Voz da Comunidade - Daniel

É com muita alegria que compartilho com vocês, meus fiéis leitores, mais uma história da coluna "Voz da Comunidade". Particularmente gostei muito da história do Daniel. Uma história de dificuldades, sim, mas também de superação!
Daniel nasceu em São Paulo, morou na Bahia e agora vive na comunidade do Cafezal por 16 anos. Mora apenas com o pai, pois sua mãe morreu ao dar à luz ao seu segundo filho. O pai sofreu um acidente há muitos anos atrás e precisou de um tratamento específico, por isso eles vieram morar em Belo Horizonte. Daniel foi um dos muitos meninos que passaram pelos grupos da Casa Luzeiro e hoje ficamos muito felizes ao ver tudo o que ele já conquistou e seu potencial para conquistar muito mais!
Com vocês, Daniel.





Kelly: Daniel, conta para nós um pouquinho da sua história .
Daniel: Minha infância foi boa. Mas quando eu vim para BH já tinha quinze anos. Fiquei sabendo que tinha um projeto aqui que era a Casa Luzeiro, mas na época todos chamavam o projeto de Jan (nome do fundador da Casa Luzeiro. Até hoje muitas pessoas conhecem a Casa Luzeiro como Jan.). Naquele tempo o Osvaldo era o líder. Ele me viu jogando futebol, gostou e me chamou para participar dos grupos. Paricipei das atividades na Casa Luzeiro por três anos, mas depois tive que sair, pois já estava com dezoito anos. Então, como não estava estudando e trabalhando, o Osvaldo me convidou para trabalhar no projeto. Trabalhei aqui por quatro anos. Tive que sair e trabalhei fazendo bicos por mais quatro anos. Até que arrumei esse emprego no projeto 'Escola Integrada". Já faz um ano que trabalho lá.

Kelly: Como foi para você participar de um projeto social? Você acredita que isso contribuiu com algo na sua vida?
Daniel: Sim! Graças ao projeto social consegui muitas coisas na minha vida, inclusive minha casa. Eu trabalhava aqui e fazia artesanato com madeira. Isso me deu um renda muito boa. Eu dava o dinheiro para o meu pai e ela guardava para mais tarde usarmos. Até hoje faço isso. Pego meu salário, separo um pouco para mim e dou o resto para o meu pai comprar o que precisamos, por exemplo: um sofá novo, alguma coisa para a casa...
Eu sempre tive muitas encomendas para meu artesanato. Muitas pessoas queriam comprar o que eu fazia. Sempre deixava meus artesanatos expostos aqui na Luzeiro. Aí as pessoas viam e faziam as encomendas.

Kelly: Como você aprendeu a fazer artesanato em madeira?
Daniel: Foi o Osvaldo mesmo que me ensinou, quando eu participava do grupo aqui na Casa Luzeiro. No começo eu não gostava, só pensava em jogar futebol. Mas depois comecei a ver os meninos fazendo, achei legal e resolvi fazer também. O Osvaldo foi meu primeiro cliente! Vendi muito! Meus trabalhos hoje estão em vários países com Holanda, Japão e Inglaterra. Foi com esse dinheiro que consegui comprar a casa onde meu pai e eu moramos hoje. Meu pai também juntava dinheiro. Quando compramos a casa, tinha apenas um andar. Agora já tem três. O primeiro é para alugar, o segundo é onde moramos e o terceiro é só para meu pai cuidar dos passarinhos dele. Ele é aposentado e gosta muito de cuidar dos passarinhos.

Kelly: Então o tempo que você passou aqui foi bom para você?
Daniel: Com certeza! Foi muito bom. Lembro dos campeonatos de futebol, as olimpíadas que participávamos... Foram momentos marcantes para mim.

Kelly: Me conta sobre sua históia com o futebol. Até hoje ouço muitas pessoas falando do talento que você tinha para jogar futebol.
Daniel: Gosto muito de futebol e jogo muito bem desde pequeno. Quando as pessoas me viam jogando, me comparavam à jogadores como o Sávio e até me davam apelidos com nomes de jogadores de futebol. Fiz testes para o Cruzeiro, Atlético Mineiro e América, mas não passei.
(Nota: Tijs, meu marido, sempre comenta que nunca viu um menino jogar futebol como o Daniel. O talento dele era notável!)

Kelly: Qual foi o motivo pelo qual você não passou nos testes?
Daniel: É por que na época não tinha um padrinho, alguém que me apoiasse. Acredito que se tivesse alguém que me ajudasse, poderia ser um jogador de futebol hoje.

Kelly: Como você se sente em relação à isso?
Daniel: Ah, acredito que foi da vontade de Deus que não desse certo.Se não aconteceu foi por que Deus não quis, pois Ele tinha outros planos para mim. Deus sabe todas as coisas.

Kelly: Mas você continua trabalhando com esportes, certo?Daniel: Sim, eu fui indicado para trabalhar como monitor de esportes no projeto "Escola Integrada". Eu me identifico muito com esse trabalho, pois gosto de trabalhar com crianças e adolescentes e gosto muito de esportes.

Kelly: O que te motiva a trabalhar com crianças e adolescentes na área de esportes?
Daniel: Eu acredito que o esporte pode dar uma nova perspectiva de vida para as crianças. Tem muita coisa errada acontecendo e se as crianças têm o foco nos esportes, não terão tempo para se focar nas coisas erradas.

Kelly: Eu fiquei sabendo que você prestou vestibular, passou, mas não conseguiu começar a faculdade. Como foi isso?
Daniel: Eu prestei vestibular para Educação Física na faculdade Izabela Hendrix. Fui fazer a prova meio desanimado, pois pensei que não sabia nada. Fazia três anos que havia parado de estudar. Fiz toda a prova e deixei a redação por último. Nunca gostei de redação quando estava na escola, mas quando comecei a escrever tive muitas idéias e quando dei por mim a redação já estava pronta! Depois de alguns dias, muitas pessoas vieram me dar os parabéns pois eu havia passado no vestibular em primeiro lugar! Mas como estava desempregado na época, não pude começar a faculdade. Nem deu para trancar ou fazer alguma coisa. Tentei conseguir uma bolsa também, mas olharam para outras pessoas e não para mim. Aí não deu para fazer faculdade.

Kelly: E agora, qual é o próximo passo?
Daniel: Vou fazer vestibular de novo! Agora tenho um emprego e vi que tenho potencial. Por isso vou tentar de novo para Educação Física. É passar e seguir adiante!

Kelly: Você quer mesmo investir na área dos esportes?
Daniel: Sim, muito. Quero me formar e dar aulas em escolas.

Kelly: Você pensa em trabalhar em projetos sociais em comunidades carentes?
Daniel: Sim. Pode ser aqui ou outra comunidade que não conheço. Eu quero muito trabalhar com projetos sociais. Investir na vida das crianças assim como investiram na minha vida.

Kelly: Como você vê a comunidade?
Daniel: Eu fico um pouco triste, pois vejo muita coisa errada acontecendo. Vejo meninos se perdendo nas drogas. Não sei o que precisa mudar aqui para tirar esses meninos dessa vida. Eu moro aqui por muito tempo e conheci muitos meninos desde pequenos que já não estão mais aqui, mas perderam suas vidas para as drogas. São poucos os que escolhem o caminho certo. Eu acho que isso é uma das piores coisas que acontece aqui. Acho que seria bom ter cursos e outras coisas que dessem uma nova perspectiva à esses meninos. Mas não é só coisa ruim. Tem lugares como a Casa Luzeiro, tenho amigos com quem posso contar e não tenho nada para reclamar daqui. Você sabendo andar direitinho é um bom lugar para morar.

Kelly: Quais são seus planos para o futuro?
Daniel: Fazer faculdade, me formar, trabalhar, casar, formar uma família...Só que isso é mais para o futuro. Agora quero estudar e trabalhar.

Kelly: Bem, já estamos encerrando. Você gostaria de deixar uma mensagem para quem está lendo esta entrevista?
Daniel: Sim. A Comunidade não é do jeito que as pessoas pensam, só violência. Tem muita coisa boa aqui. E também agradeço àqueles que me ajudaram e as oportunidades que me deram e por ter participado da Casa Luzeiro. Muito obrigado.



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Trust - O lado escuro da internet

No final de semana assistimos a um filme que me deixou, de certa forma, perturbada. O filme é Trust (não sei como o título foi traduzido para o português, mas na tradução literal significa "Confiança") e conta a história de uma adolescente que conhece um menino em um chat na internet. Bem, não vou contar aqui todo o filme, mas já dá para ter uma idéia do que acontece.O filme realmente te faz pensar. Quem são as pessoas que conversam com você nas redes sociais? O que acontece com as fotos que você coloca na internet? Quantas pessoas lêem o que você escreve? É um pouco assustador quando você começa a pensar. É claro, que precisamos saber com quem nos relacionamos na internet e pensar muito bem sobre o que colocamos em redes sociais. Creio eu, que para um adulto bem resolvido isso não é problema. Mas fico imaginando que adolescentes, crianças e pessoas muito solitárias são presas fáceis para crimes na internet. Quantos pais não fazem a mínima idéia do que seus filhos vêem na internet? Com quem conversam, com quem se relacionam? Isso é coisa séria! Se você tem filhos que acessam a internet com frequência, por favor, fique atento! Não fique aceitando                                                                                                     todo mundo que te envia um convite de "amizade" nas redes sociais. Este post não é para criar pânico, ou significa que fiquei paranóica por ver esse filme, mas precisamos ter muito cuidado com nossa vida virtual. Não podemos simplesmente confiar em todo desconhecido que conversa conosco na internet.
Todos os dias, rejeito convites de "amizade" no facebook. Não gosto e não quero aceitar desconhecidos nas minhas redes sociais. Peço que se você me enviar um convite, escreva junto uma mensagem dizendo de onde me conhece e porquê quer ter meu contato.
Redes sociais são boas quando são usadas devidamente. Esses dias atrás alguém publicou no facebook algo assim: "Redes sociais: domine, não seja dominado". Não tem algo que eu concorde mais! Eu gosto muito de usar a internet, inclusive a uso bastante por causa do nosso estilo de vida. Como missionários que dependem de suporte financeiro de amigos e igrejas, é preciso que informemos claramente o que estamos fazendo e como está nossa vida no campo missionário. Para isso, as redes sociais só vieram a acrescentar. Mas ainda sim, é preciso tomar muito cuidado. Uma coisa tenho certeza, nada substitui o olho no olho, o conhecer pessoalmente. Sei que ainda tem muita gente que é enganada dessa forma, mas o risco é bem menor. Que Deus nos ajude a proteger nossas crianças e pessoas vulneráveis a esse tipo de crime. E que sejamos sábios a respeito da nossa vida virtual. Fica aí a dica!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mulheres Sofrem Mais Que Homens


Demorei um pouco para poder escrever sobre isso. Não posso dizer que já digeri tudo o que ouvi, mas fui capaz de colocar alguns pensamentos no lugar. Cinco anos de comunidade e ainda me surpreendo com certas coisas que ouço.
Comecei a semana falando sobre relacionamentos. Sabe como é, definição de namoro, noivado e casamento, o que é "ficar" e por que não concordo com isso, mostrei meu albúm de casamento e outro que eu mesma fiz com fotos desde quando conheci o Tijs até a nossa lua de mel, falei versículos bíblicos e etc. Foi um bom estudo bíblico, penso eu. Quando se fala desse assunto, pode ter certeza que não faltarão perguntas e olhos e ouvidos bem atentos a tudo o que você faz e diz.
Durante o grupo, tive problemas com uma menininha que me chamou de folgada simplesmente porque disse que ela mesma deveria carregar seus patins de volta à despensa. Ela gritou aos quatro ventos: "Essa fessora FOLGADA, FOLGADA, FOLGADA!! E por mais que eu pedisse para ela parar, minha voz parecia não surtir efeito algum. Então tivemos que segurá-la alguns minutos a mais depois que as outras meninas foram embora para conversar sobre o comportamento dela. No começo ela estava relutante em se desculpar. Disse que gente ruim (eu) era nada para ela e que considerava menos que cachorro. Depois de muita conversa, ela decidiu se desculpar. Não lembro exatamente como entramos na conversa, mas ela começou a contar sobre a vida dela em casa. Não quero falar tudo o que ela nos contou, mesmo por que, quero preservá-la. Mas acredite-me, essa menina já aguentou muito mais do que muito adulto nesse mundo. Em certo momento ela falou: "Ô fessora, um dia eu estava conversando com minha mãe, um dia que ela não bebeu, que seria muito legal se o mundo fosse assim: Quando as mulheres fossem sofrer, virassem homem e nos momentos bons, virassem mulher de novo!". Eu achei muito estranho e perguntei "Você acha que mulher sofre?" ela respondeu "sim!". Perguntei de novo "E você acha que homem não sofre?" ao que ela respondeu "claro que não"!
Por um momento me senti ridícula por todas as coisas que eu falei sobre relacionamentos e sobre um bom casamento quando na verdade as expectativas dessa criança de apenas 9 anos de idade, já estão mortas e é feito um esforço diário para mantê-las mortas. É claro que depois recuperei o bom senso e pensei "Não importam as circunstâncias que essas meninas vivem, preciso falar a Verdade de Deus". Devo, sim, continuar falando sobre bons relacionamentos, homens que servem as mulheres e não as fazem sofrer, que não as enchem de filhos e depois as abandonam como se fossem um sapato velho. Mas, a pergunta que não quer calar: Como falar de esperança para crianças que já têm suas esperanças mortas? Que dia após dia observam e vivenciam experiências de dor, abandono, violência, sofrimento e abuso? Crianças que vivem em um ambiente onde mulheres sofrem, sim, e tem que sofrer calada, por que a vida é do jeito que é?
Meu coração dói ao imaginar quanta coisa ela já viu, para ter uma mentalidade dessas. No outro dia de grupo, acabamos entrando no assunto de nascimento de bebês e alguém comentou que as mulheres sofrem para dar à luz. Na mesma hora ela apontou o dedo para mim e disse: "Depois a Kelly vem me falar que mulher não sofre!" E parece que a maioria das meninas tem a mesma opinião. Uma delas falou: "Não acho que sofre mais, mas que trabalha muito mais que os homens, isso com certeza!"
Só Deus mesmo para nos ajudar a tocar a vida dessas crianças já tão machucadas e calejadas. Só Deus mesmo para dar vida e futuro para elas. Só Nele, nosso Refúgio e Fortaleza, podemos encontrar o que nós e essas menininhas precisamos: Esperança!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pense antes de repassar!

Eu gosto muito das redes sociais e tento fazer um bom uso delas. É bom manter contato com tantas pessoas, fazer novas amizades, ter uma maneira rápida de contatar a família, manter as pessoas informadas sobre nossa vida em missões, enfim, são muitos os benefícios. Mas quase todos os dias fico impressionada com o tanto de abobrinhas que leio nos perfis. As pessoas vão repassando frases, citações, sem nem pensar direito. Teve uma citação em especial que me incomodou muito e que foi um "sucesso". Muitas pessoas colocaram isso no seu perfil, inclusive cristãos (o que me deixou mais impressionada ainda!). A citação é a seguinte:
"Se algumas pessoas se afastarem da sua vida, não fique triste. É apenas a resposta de sua oração quando pediu: Livrai-me de todo mal amém!!!"
Como que pode alguém em sã consciência usar a oração do Pai Nosso, uma oração comunitária, para pregar inimizade? Quando Jesus diz "Pai nosso" e "pão nosso", Ele está mostrando algo bem importante e definitivamente não é ficar feliz por que as pessoas se afastam de nós, mas que a unidade é fundamental na a adoração a Deus.
Meu pastor publicou algo no perfil dele no facebook, que até agora estou aplaudindo, e na verdade fez tanto "sucesso" que só de pessoas que compartilharam e citando o nome dele, foram 14! Ele disse assim:


"se as pessoas se afastam de você... não espante a tristeza muito rápido, como alguns andam sugerindo no FB. Pode ser sim que Deus tenha te livrado do mal, mas pode ser também que ele tenha livrado OS OUTROS de você. Então seja humilde e ore antes de repassar bobagens arrogantes pelo FB. É perigoso assumir que andamos com Deus dentro do nosso bolso!"


Precisa falar mais? Precisamos parar de repassar bobagens que não fazem sentido nenhum, não mostram o caráter cristão e são ridículas!
Ainda tem mais frases bobinhas como: "Quando você pega a Bíblia, o diabo tem dor de cabeça. Quando você abre, ele tem um colapso nervoso. Então você começa a ler, ele desmaia. Aí você começa a vivê-la, ele foge. E quando você estiver prestes a copiar isso, ele tentará te desencorajar. Eu desafio você a fazer isso. Cole isso no seu mural se você faz parte do exército de Deus."
Isso nem é bíblico!
Tem alguns contatos meus no facebook que eu realmente paro para ler o que eles escreveram, pois sei que sempre posso aprender algo. E é tão bom quando aprendemos algo com pessoas que compartilharam coisas interessantes. Navegar pela internet não se torna uma simples perda de tempo.
Compartilhe mensagens que realmente ajudarão alguém, escreva coisas interessantes, ensine, faça amizades, use as redes sociais para o bem, e pelo bem de todos que lerão as coisas que você escreve no seu perfil, por favor, pense antes de repassar!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Treine seu Olhar

Eu cresci em uma cidade do interior. Sou da roça mesmo! Nas férias de julho e dezembro e todos os finais de semana costumávamos ir para o sítio da minha avó. Minhas irmãs e eu comíamos peixe que meu pai pescava, íamos no meio do mato catar jabuticaba, pitanga e outras frutas, brincávamos na cachoeira e éramos acostumadas aos animais que normalmente você encontra na roça. Desde cedo aprendi a admirar um belo céu estrelado, um lindo pôr do sol atrás da colina, borboletas de todas as cores imagináveis, flores dos tipos mais variados, pássaros cantando as mais diferentes canções, um campo todo esbranquiçado pela geada e muito mais coisas que só quem viveu na roça sabe contar. Talvez seja por isso que sempre gostei do salmo 19, pois ele fala de algo que na verdade consigo compreender desde criança.

"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento as obras de suas mãos.
Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.
Não há linguagem, nem palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até os confins do mundo." Salmo 19:1-4

Sempre que vejo as montanhas, o mar ou de dentro de um avião posso contemplar a imensidão do céu, é difícil não pensar em Deus. Tudo é tão grande e majestoso para mim, que só pode ter sido criado por um Deus grande e majestoso, muito maior do que as coisas que posso ver e que me encantam tanto! Como meu pastor disse no domingo: "O salmista diz que o céu é apenas um mensageiro. Ele aponta para algo muito maior e mais duradouro do que ele mesmo. Ele é um mensageiro da glória de Deus." Podemos, com clareza, contemplar a glória de Deus nas coisas criadas por Ele. Talvez para algumas pessoas isso seja algo muito difícil de fazer. Pessoas que estão com seu olhar tão condicionado ao seu mundo de concreto, que esqueceram de contemplar a majestade do Criador nas coisas criadas por Ele.
Treine seu olhar, observe, contemple, admire e lembre-se do seu Criador. Ele se deixa conhecer nas coisas que Ele mesmo criou. Esse "livro de Deus" está acessível a todos e é de graça (é graça)!

Selecionei algumas fotos para que você comece agora a contemplar a beleza da criação e ler o Livro de Deus. Enjoy it!








segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Noite de talentos na Casa Luzeiro

No sábado tivemos aqui na Casa Luzeiro uma "Noite de Talentos", onde várias pessoas fizeram apresentações mostrando os seus mais variados talentos, desde música até mágica (fotos mais tarde)!
Como todos sabem eu gosto muito de fotografia e decidi fazer um vídeo com algumas das minhas fotos favoritas, ao som de Bach, meu compositor favorito. Dá uma olhadinha aí no vídeo. Espero que você goste!
Abração e boa semana para todos!



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Rei Sem Nome

Escrevi esse texto há um tempo atrás, quando um menino, conhecido nosso, morreu baleado. Ao ler a notícia na internet, esse texto me veio à mente. Parte do texto é ficção (baseada na vida real), parte realidade. Hoje olhando meus textos antigos achei este e a dor e a revolta tomaram conta do meu coração por alguns minutos. Lembrei dele e pensei em como ele estaria hoje.






Um menino de 15 anos vê sua mãe, grávida pela quinta vez, chorar de fome sem ter nada o que comer em casa. Seus irmãos, todos menores do que ele, tentam arranjar alguma coisa para comer na rua. Do seu pai resta uma vaga lembrança e um grande rancor, pois quando ainda era um menino pequeno, seu pai foi preso. E depois disso nunca mais voltou a vê-lo.
No tráfico ele encontra poder, respeito, o valor que nunca ninguém deu a ele antes, amigos, e algo muito importante, o dinheiro que ele tanto precisa para ajudar a sua mãe e, é claro, comprar os tão sonhados Ipod, Iphone, lap top, TV tela plana, roupas e tênis de marca e tudo aquilo que um dia alguém jogou na cara dele que um favelado jamais poderia ter. A vida se tornou maravilhosa! Agora ele consegue tudo que um dia sonhou. As pessoas quando olham para ele desviam o olhar por medo ou respeito, pois agora ele é autoridade na sua área. Não tem medo de nada e de ninguém. Todo o mundo que ele conhece, a sua pequena favela, está aos seus pés. Pessoas correm para ele pedindo a solução para seus problemas. Ele opina até em briga de casal. Todos o respeitam. O respeito do revólver em sua mão e da coragem de matar. Apenas 15 anos, o rei da favela!
Mas um dia, o rei de outra favela, um menino de 18 anos, decide que quer aumentar o seu domínio e quer invadir outra área. Chama seus fiéis súditos, e com a estratégia militar dos jogos de vídeo game dos fliperamas da favela, lidera um massacre.
Ao final dos tiros, vemos um rei de 15 anos estirado na rua. 15 anos, 15 tiros. Acabou o seu reinado e agora sua família tem que fugir da favela e provavelmente morar na rua.
Vizinhos assustados se escondem para não responder as perguntas que a polícia faz. E a polícia, arquiva mais um caso, sem informações, apenas o nome de um adolescente morto. Não precisamos mais do que isso, afinal de contas, era apenas um favelado que teve o que merecia, pois quem mandou se meter com o tráfico ao invés de estar na escola ou trabalhando?!
Podemos ler a notícia na internet ou no jornal com certo descaso e dizer que tudo é culpa do governo, que deveríamos mandar o exército acabar com essa bandidagem que estraga a imagem do nosso país. Mas nem percebemos que na reportagem fria não estava escrito nem ao menos o nome do menino. Não estava escrito que quando costumava ir para a escola, não conseguia aprender nada e nosso pobre rei da favela aos 15 anos mal sabia escrever seu nome. Não estava escrito as tantas vezes que ele buscou o apoio e o carinho da mãe, mas com tantas crianças e tendo que cuidar de todas elas sozinha, não tinha tempo para nenhuma e quando chegava o fim de semana era comum ouvir essa frase: “Eu vou sair, preciso me divertir, não vou parar minha vida por causa de vocês!” E nosso carente rei da favela iria chorar sozinho, a falta da mãe e a saudade misturada com ódio do seu pai. Não estava escrito quantas vezes ele sofreu preconceito por ser um favelado. Não estava escrito que quando ele optou pelo tráfico não tinha ninguém ao seu lado para apontar outro caminho. Ele fez a escolha, e agora jaz no chão frio de uma rua suja e fétida de uma favela qualquer. E seu nome? Jamais saberemos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Bem Vindos à Casa Luzeiro

Muitas pessoas têm vontade de saber como é a Casa Luzeiro. O lugar onde quase tudo que escrevo nesse blog acontece! Então, resolvi fazer um tour pela casa, com minha câmera, para que aqueles que estão longe ou por algum motivo nunca puderam nos visitar, possam ter uma idéia de como é a "nossa" casa. Bem vindos à Casa Luzeiro!

Esta é a vista de quem acabou de subir o morro e está sem fôlego! Assim que você entra na comunidade já pode avistar a Casa Luzeiro.


Ao abrir o portão da frente, você já é bem vindo!

Na entrada da casa há dois painéis, pintados por duas equipes de volutários que estiveram por algum tempo servindo a casa e a comunidade.



Este prédio é o que chamamos de "Prédio Candeia" e serve de alojamento para obreiros e alunos, tem escritórios, cozinha e sala de tv.

Normalmente as crianças sobem esta escada felizes da vida, pois ela leva à melhor parte da casa (opinião das crianças!) 

E a escada leva à piscina


E à quadra. Lá no fundo você pode ver nossa casa (o apartamento do meio, no lado direito)


Além da quadra "grande" também temos a quadra "pequena", onde uma vez a cada quinze dias, a base de JOCUM BH se reune para um culto.

Voltando da quadra e piscina, essa é a vista que você tem.


Um ótimo lugar para sentar e pensar na vida.


Ainda outro alojamento


Sala de tv



Salas para os trabalhos, grupos e outras atividades

Saída da casa.

Pátio central


Também contamos com uma vasta área verde, onde temos um parquinho

Vista para a comunidade

e vista para a cidade

Este é um lugar que não usamos tanto quanto gostaríamos... A Churrasqueira! Mas ela é muito usada por grupos que querem orar sob o sol, pessoas quando querem ficar um momento a sós, ler a bíblia, ler um livro, tocar violão, pensar na vida e etc.

Temos um vasto pomar com árvore de carambola, acerola, caju, limão, banana, manga, mexerica, goiaba, abacate, amora e até uns pezinhos de café!

E agora tem até uma horta em desenvolvimento!

Às vezes, embaixo das árvores encontramos uma sala de reunião. 


Essa é a minha vista favorita. Quando eu cheguei aqui, gostava de sentar no refeitório e contemplar as montanhas, as nuvens, enfim, essa vista linda. Olhando para tudo isso, Deus foi ministrando ao meu coração e fazendo nascer um amor por essa casa e essa comunidade que até hoje não parou de crescer!

Tudo isso que vocês viram nessas fotos é presente de Deus. Tudo vem Dele e tudo é por Ele e para Ele. Somos gratos por tudo o que Ele tem feito e ainda fará nessa comunidade, através das nossas vidas. Por favor, ore por nós missionários e por essa comunidade, para que a vontade de Deus se cumpra na nossa vida. A Ele seja a glória eternamente!