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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Maratona C. S. Lewis

Há um tempo atrás decidi fazer uma "maratona C. S. Lewis". Quero ler todos os livros desse autor (pelo menos os que tenho em casa e os que eu posso emprestar dos meus amigos...).  Eu recomendo a leitura dos livros dele! Tudo o que eu tenho lido tem me ajudado de uma forma ou outra. 
Um dos livors dele que li há pouco tempo atrás foi "O Problema do Sofrimento". Um livro maravilhoso! Muito bom mesmo! Me ajudou a pensar sobre o sofrimento que vemos no dia a dia ao nosso redor e também, de uma maneira mais íntima, o sofrimento na minha própria vida.
Um trecho do livro me chamou muito a atenção. Essas palavras ficaram por dias na minha mente e gostaria de compartilhar com vocês esse trecho do livro:
"Você pediu um Deus amoroso: agora tem um. O grande ser que você invocou com alegria, o “senhor de temível aspecto”, está presente: não uma benevolência senil que preguiçosamente deseja que você seja feliz à sua maneira; não a fria filantropia de um juiz escrupuloso; tampouco os cuidados de um anfitrião que se sente responsável pela comodidade de seus convidados, mas Ele próprio o fogo a consumir-se, o Amor que criou os mundos; pertinaz como o amor do artista por sua obra e despótico como o amor de um homem por seu cão; providente e venerável como o amor de um pai por seu filho; ciumento e exigente como o amor entre os amantes. Como isso realmente se passa, ignoro. Está além da razão explicar isso por que alguma criatura, para não dizer criaturas como nós, deveria ter um valor tão prodigioso aos olhos de seu Criador. É decerto um fardo de glória não só além de nossos méritos mas também, exceto raros momentos de graça, além de nossos desejos."
 C.S. Lewis em "O Problema do Sofrimento". 
É isso. Bom fim de semana!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O que nos Diferencia?

Há alguns dias Tijs e eu estávamos no centro de Belo Horizonte resolvendo algumas coisas. Como não dava tempo de ir para a casa antes de ir ao culto da base da JOCUM, resolvemos comer em um famoso fast food no centro da cidade. Enquanto Tijs fazia o pedido e esperava a comida chegar, sentei em uma cadeira e comecei a observar as pessoas. Havia um homem fazendo a “segurança” do local. Ele ficava na porta e observava se alguém precisava de ajuda.

Em um determinado momento um homem entrou na lanchonete. Sujo, barba por fazer, roupa suja e velha, cheia de buracos, gasta pelo tempo, descalço, descabelado, rosto oleoso pela falta de banho, sem dentes. O homem já tinha certa idade ou era envelhecido pela vida sofrida. O homem que estava fazendo a “segurança” do local não disse uma palavra. Fechou a cara, fazendo aquela expressão onde estava escrito que para ele aquele homem que entrara na lanchonete era um nada. Fez apenas um sinal. Ergueu o braço e apontou para a rua com o dedo. O homem maltrapilho entrou por uma porta e saiu pela outra com a cabeça baixa. O “segurança” prosseguiu seu trabalho com se nada tivesse acontecido ou como se fizesse aquilo um milhão de vezes por dia. Continuou arrumando cadeiras no lugar, colocando as pessoas na fila certa e distribuindo sorrisos para os clientes dentro da lanchonete.
Fiquei a me perguntar: “O que me diferencia daquele homem maltrapilho que não teve o direito nem de uma palavra, apenas uma expressão reduzindo-o a nada e um dedo apontando para a rua?” Um banho? Uma roupa limpa? Um corte de cabelo? Uma roupa sem buracos? Um par de sapatos? R$ 15,00 no bolso para comprar um lanche? O que nos diferencia?
Dentro daquele homem bate um coração, assim como em mim. Ele pensa, se alegra, sem entristece (talvez muito mais do que nós), tem memórias, teve um emprego um dia, teve sonhos, e o principal: Foi criado à imagem e semelhança de Deus, assim como eu e você. Pergunto mais uma vez: O que nos diferencia?
Quando começamos a valorizar mais as coisas, aparência, dinheiro, status, e deixamos de valorizar o indivíduo? Quando foi que deixamos de nos dar ao trabalho de usar palavras e tirando toda a dignidade das pessoas as tratamos como animais. Não, isso não é verdade. Existem animais que são mais bem tratados do que aquele homem foi.
Quero que você imagine aquele homem, ou lembre-se de tantos iguais a ele que você já viu na rua e me responda: O que nos diferencia?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Paixão de Cristo

“Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez. Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Lucas 23:39-43


Há alguns anos foi lançado um filme que impactou muita gente. O filme “Paixão de Cristo” dirigido por Mel Gibson, mostrando alguns momentos de Cristo antes da sua crucificação e principalmente os momentos de tortura e violência são retratados com extrema realidade. Quando o filme foi lançado (2004) foi uma febre. Todos foram assistir no cinema. Pessoas entraram em crise na sala do cinema, choravam desesperadamente. Ouvi diversas histórias a respeito de pessoas desmaiando durante o filme e cheguei a ouvir histórias de pessoas que teriam falecido por problemas cardíacos durante o filme (Não sei se procedem e nem vem ao caso). Mas lembro de uma coisa que me chamou muito a atenção na época. Um amigo meu, que na época não era cristão (hoje é), disse: “É muita sacanagem o que fizeram com o cara...”

Não lembro o que falei na época, provavelmente apenas concordei. Mas até hoje, sempre que vejo algo a respeito desse filme, lembro dessa frase.

Esse tipo de visão a respeito da Cruz de Cristo é extremamente comum, como se pudesse reduzi-la a uma terrível injustiça. Muitas vezes nos iramos pensando a respeito daqueles sacerdotes e escribas que acusavam Jesus, nos irritamos com a multidão clamando por sangue, nos iramos com Pilatos, que lavou as mãos em inocência, perdemos a cabeça com os soldados que torturaram e crucificaram Jesus... Mas será que isso está certo? Será que essa deve ser a nossa atitude para com a cruz de Cristo?

Recentemente li um livro do Dr. Abraham Kuyper (chamado “De Paaschmorgen” [A Manhã de Páscoa*]) a respeito da páscoa, no qual o Kuyper fala algumas coisas que me chamaram a atenção, e creio que, nestes dias que antecedem a memória daqueles acontecimentos há quase 2000 anos, valem a citação. (Como o livro não existe em português traduzi os trechos*)

“Ninguém deveria desprezar seus sentimentos em Gólgota. Mas não podemos ficar apenas no nível do sentimento. É necessário ir mais profundo para que Gólgota o abençoe. A cruz não pode significar apenas “injustiça” ou destemida “crueldade”, que despertam um clamor por vingança no seu coração. Deve ser muito mais profundo, um “castigo”, uma prova de “justiça”, uma demonstração de um eterno, indescritível e divino “amor”. E isso faz uma diferença gigantesca. Pois enquanto a cruz te incomoda, e aqueles soldados rudes te atrapalham, e aqueles sacerdotes fazem seu sangue ferver, e aquela multidão te irrita, continuarás sempre sendo aquele homem bondoso e correto, que ao contrário dos sacerdotes e rudes torturadores se levanta em favor do inocente assassinado. Então você se compadece de Jesus, em vez de permitir que Ele se compadeça de você. E o fim é que, em Gólgota, você continuará exaltado aos seus próprios olhos, e se sentindo santo em si mesmo, e julgando, não a si mesmo, mas àqueles perversos homens que colocaram as mãos em Jesus. Mas esse não é o objetivo da Palavra de Deus. Ela implica que perto da cruz nós nos afundamos. Que não pensemos na culpa daqueles soldados, mas que pensemos na nossa própria culpa eterna. E que não é o horror da morte de Jesus, mas que seja o horror da sua própria morte eterna que atinja nosso coração.” (pág. 22)

Temos essa tendência, de “tirar o nosso da reta”. Como se não tivéssemos nada a ver com aquilo, e não entendêssemos porque aqueles “malvados” cometeram tal ato de violência. Mas com esse tipo de pensamento acabamos por tirar a nossa culpa da cruz, como se os culpados daquele ato horrível fossem apenas os que empunham o martelo e os pregos, e como se os meus e os seus pecados não fossem a causa de cada uma daquelas chicotadas e marteladas. Por isso Kuyper continua dizendo:

“Não, a ira de Deus não se acende a não ser contra a culpa. E mesmo que Pilatos não tenha visto culpa em Jesus, Deus viu culpa. Muita culpa, sim toda a culpa, culpa em medida infinitamente maior do que já houve em corações humanos. Pecador não, Jesus jamais o foi. Nem por um momento sequer. Nem um único instante do tempo. Pessoalmente Ele era, e continuou eternamente sendo, o Santo Deus. Mas que Ele estivesse isento do pecado e da culpa, muito pelo contrário, a plenitude de pecado de um mundo inteiro pesava sobre Ele e a culpa de todos os culpados foi carregado por Ele até a morte. É isso que Isaías exclama: “O castigo estava sobre Ele!”Não crueldade, mas justiça! Não maus tratos, mas o justo castigo caiu sobre Ele. É isso que devemos entender.” (pág 24)

Temos que entender que o que Jesus sofreu ali não foi injustiça, mas foi a justiça que nós merecíamos. “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:5). E Kuyper continua:

“Ele requer muito mais do que sentimentos. Ele não descansará contigo, até que reconheças: Meu castigo, o castigo que me trouxe a paz, foi sofrido por Ele!” (pág. 25)

“Quando Jesus morre, Ele não está buscando a sua compaixão. Insistir nisso é uma imaginação pecaminosa como se com a sua pena pudesses aliviar o profundo sofrimento Dele. Não inverta os papeis. Ele veio para sofrer por você, para te consolar o seu profundo lamento, e para demonstrar, não para experimentar a sua, quão profunda é a dedicação de um amor que verdadeiramente nega-se a si mesmo. Um Mediador, que no seu profundo sofrer e temor se preocupasse com seu próprio sofrimento e nesse sofrimento clamasse pela sua misericórdia, não poderia ser o Salvador.” (pág. 53)

Muitas vezes apresentamos Jesus assim. Mesmo que bem intencionados, na tentativa de convertermos as pessoas apelamos para a imagem de Jesus lá na cruz sofrendo e dizemos coisas do tipo: “Aceite Ele, olha o que Ele fez por você”, e apelamos para as imagens do sofrimento para que a pessoa acabe aceitando esse tal de Jesus por compaixão desse “cara com quem eles fizeram tanta sacanagem”. Mas Kuyper continua mostrando a posição devida diante da cruz:

“Quem se achega para ter compaixão de Jesus, inverte os papeis. E quem quer verdadeiramente ser salvo, precisa se tornar como o assassino ao lado da cruz, se render e reconhecer que ele falece sob a Lei de Deus, e dar a honra devida à justiça de Deus, e assim, desfalecendo em autodestruição levantar os olhos para Ele, que ali morreu pelos pecados que Ele jamais cometeu.” (pág. 56-57)

Diante da cruz não podemos ter outra atitude senão a atitude do assassino, reconhecendo que o nosso castigo nada seria além de justiça, e, em profundo temor e tremor, olhar para Aquele que está crucificado e esperar na misericórdia, amor e graça Daquele que fez tudo por nós. Essa é a mensagem da sexta-feira Santa. Essa é a mensagem da crucificação. Lembre-se, durante esse feriado, que não é você que precisa ter compaixão para com Ele, mas você deve clamar para que Ele tenha compaixão de você.



*Todas as citações são do livro: Dagen van Goede Boodschap – De Paaschmorgen (met Goede Vrijdag) por Dr. A. Kuyper Edição de J.H. Kok te Kampen - 1923

segunda-feira, 21 de março de 2011

Luzeiro e escola integrada

Na semana passada eu passei um dia com a "Escola Integrada"aqui na JOCUM para fotografar. Escola Integrada é um programa do governo, onde as crianças ficam o dia todo sob os cuidados da escola, tendo várias programações e oficinas. A JOCUM Casa Luzeiro é parceira de uma escola aqui da comunidade e recebe as crianças desse projeto 1 vez por semana. Também alguns missionários daqui vão lá na escola 1 vez por semana. É um trabalho em conjunto muito bonito. As crianças aprendem, se divertem e gastam MUITA energia aqui. Confira algumas fotos.














domingo, 13 de março de 2011

Sobre Tragédias, Facebook, Twitter e o Fim do Mundo

Olá a todos,


Normalmente é a Kelly quem escreve para o nosso blog em português, mas, de vez em quando, eu (Tijs) também dou meus pitacos.

Creio que todos nós ficamos chocados com a tragédia acontecida no Japão e, conseqüentemente, em diversos outros países em maior ou menor escala. Ver as imagens de um terremoto, e do conseqüente tsunami, nos impressiona chegando, com as facilidades na comunicação atual, em tempo real para nós. Uma tragédia horrível, onde milhares e talvez milhões de pessoas sofreram e continuam sofrendo.

Uma coisa que me choca, talvez até mais que o próprio acontecido, é a atitude de muitos cristãos. Poucas horas depois de as imagens atingirem a televisão começam a aparecer os comentários nas redes sociais, do tipo: “É o principio das dores” ou “As profecias estão se cumprindo”. Alguém até colocou um “check-list” (lista de checagem) no Facebook: “Estabelecimento de Israel como nação moderna? ‘check’ Guerras e rumores de guerras? ‘check’ Terremotos em diversos lugares? ‘check’ (O ultimo – o grande terremoto do Japão) Alguém lembra de outro sinal ainda não cumprido para o retorno de Jesus?” (Não, não vou dizer quem foi, não vale a pena...)

Não vou me deter à questão escatológica da coisa, porque, na verdade, é o menos importante nisso tudo (mas, para aqueles que querem saber um pouco mais sobre a ‘minha’ visão escatológica, sugiro que leiam o livro “Surpreendido pela Esperança” de N.T. Wright).

O que me assusta é a atitude de (quase) celebração dos crentes, como se fosse uma coisa maravilhosa que milhares de pessoas acabam de perder tudo. Que centenas de pessoas morreram. Que outros milhares estão desaparecidos e que outros milhares ainda podem morrer por causa de conseqüências da destruição (como exposição ao material radioativo da usina nuclear, e doenças que se propagam no meio de tal destruição). E isso tudo porque: “As profecias estão se cumprindo”.

Essa não é a hora para parecer interessante com a sua visão escatológica ou sua teologia. Não é hora para especulações metafísicas. Não é hora de discutir se Jesus vai voltar, se vamos ser arrebatados, se vai ser pré ou pós-milênio, etc. Não é hora para fazer ameaças do tipo “Jesus está voltando, convertam-se pecadores ou queimarão no fogo do inferno!” (Sim, parecem ameaças). Não é hora para discutirmos as profecias ou, na maioria dos casos, profetadas (sim, porque a maioria dos “escatólogos” de plantão no facebook, twitter e similares nunca leram um livro de teologia sequer e na verdade não tem uma escatologia claramente definida). Isso não é hora para discutir se “X” ou “Y” é o anticristo, se Fulano ou Beltrano são a besta, se tem anticristo ou besta, ou qualquer coisa do gênero. Não!

Essa é a hora de nos ajoelharmos e rogarmos ao Pai por aquele povo. Essa é a hora de clamarmos por misericórdia. Essa é a hora de pedirmos como nós podemos ser resposta para aqueles que sofrem. Essa é a hora para demonstrar o amor, a compaixão a graça e a misericórdia, a respeito das quais tanto falamos. Essa é a hora de pesquisar, para saber o que será necessário por lá, quais serão as necessidades reais dos países para a reconstrução, para ver como nós, como Corpo de Cristo, Igreja do Senhor, podemos ser resposta naquelas nações (sim, porque crente tem a horrível tendência de chegar atrasado com a sua bem intencionada ajuda, trazendo o que já é desnecessário).

Essa não é a hora para ortodoxia, mas para a ortopraxia, colocando em prática todas as belas palavras que ouvimos na pregação aos domingos. Tudo o que dizemos acreditar. De ser e não de falar. De chorarmos com os que choram, alimentarmos os famintos, vestirmos o nu e curarmos os doentes.

E então? Vamos orar? E então? Vamos agir?