sábado, 20 de novembro de 2010

Histórias de uma brasileira perdida na Holanda

Visitar um país diferente é sempre uma experiência única! Ouvir uma língua diferente, provar uma comida diferente, observar aspectos de uma cultura diferente. Tudo isso é bem empolgante. Mas nem tudo são flores... Você sente tanta saudade do seu país natal como nunca imaginou! Sua língua, sua comida, sua cultura, enfim, aquele mundo que você conhece. Talvez você não saiba muito bem como é a Holanda, por isso nesse texto quero contar um pouquinho sobre esse país maravilhoso, do meu ponto de vista. Uma brasileira, que não fala holandês, e morrendo de saudade da sua pátria!
Vamos comigo para a Holanda?
Nesse ano visitamos a Holanda no outono. Uma estação linda!!! As folhas das árvores mudam de cor antes de cair, criando uma explosão de amarelo, vermelho, marrom, laranja... Coisa que vi pela primeira vez na minha vida, já que não temos isso aqui no Brasil por ser um país tropical (abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza!). Tinha dias tão lindos que eu sentia vontade de cantar. Nessa época não é tão frio. Alguns dias até saí de casa sem jaqueta ou qualquer blusa de frio, apenas usando uma blusa sem mangas.
Na holanda é comum o uso de bicicletas para o transporte pessoal. Em qualquer lugar que você vá tem milhares de bicicletas. O que facilita muito é que a Holanda é totalmente plana!! Eu não conseguia acreditar nos meus olhos na primeira vez que eu vi isso. Parece que Deus quando criou a Holanda passou uma régua deixando o chão tão retinho quanto fosse possível. Na verdade eu tive a oportunidade de ver as "montanhas da Holanda"que você brasileiro, especialmente morador de Belo Horizonte, riria das "grandes montanhas da Holanda", que não passam de uns morrinhos tímidos. Mas o fato de todo o país ser plano tem sua beleza. Bem, voltando às bicicletas, tudo é tão planejado que existe ciclovia em todo o país, tendo até semáforos para os bicicleteiros de plantão. No domingo muitas pessoas não andam de bicicleta, pois as igrejas mais tradicionais pregam que não se pode fazer isso no dia do senhor. Então as pessoas vão à igreja a pé. Para mim andar de bicicleta foi muito bom... quando tinha sol! Teve um dia que eu comecei a chorar na rua, pois tínhamos que ir até a outra cidade de bicicleta (cerca de uns 13 km) e a tempereatura era de 4 graus, tínhamos um vento cotrária que quase derrubava a gente da bicicleta e uma chuva que penetrou até no âmago do meu ser! Teve um momento que eu não conseguia mais sentir minhas pernas, nem pedalar. Então desci da bicicleta e tentei andar. Tijs não sentia mais as mãos. Foi uma experiência, digamos, marcante, que me trouxe um novo respeito pelas pessoas que precisam ir para o trabalho ou escola todos os dias de bicicleta. Chova ou faça sol.
Outra coisa bem diferente é o almoço. Aqui no Brasil nós temos 2 refeições quentes, almoço e jantar. Mas na Holanda o almoço é pão. Isso mesmo, pão! Todos os dias. Eu tentava enganar a mim mesma tomando uma sopa, fritando um ovo, cozinhando uma salsicha, mas no final eu não aguentava mais. Ironicamente nosso primeiro jantar no Brasil foi pão! Dá para acreditar nisso??? Eu fiquei imaginado os holandeses que vêm para o Brasil e tem que passar pela mesma penúria comendo arroz e feijão todos os dias...
Agora, a língua. Essa é uma das partes mais difíceis. Tenta ir numa igreja onde você não sabe o que está acontecendo. Posso dizer que é uma experiência que você nunca vai esquecer. Nunca mesmo! Ainda bem que eu me viro com o inglês e posso conversar com a maioria das pessoas. Mas mesmo assim tive meus momentos que querer chorar e arrancar meus cabelos... O difícil é quando você tenta cozinhar e todas as instruções estão escritas em holandês. Você olha e olha, tenta entender alguma palavra, volta a ser uma criança de 4 anos de idade olhando as figuras e tentando entender o processo. Aí eu perguntava para o meu marido como preparava tal alimento. Ele dava uma olhada nas instruções e como um bom entendedor de holandês (já que é sua primeira língua) e não entendedor de cozinhar, ele simplesmente dizia: "Ah, é só jogar na panela!" Até agora não tenho certeza se cozinhei tudo certo. Fiz tudo por "intuição de cozinheira". O fato é que emagreci na Holanda. Aguém quer adivinhar porque???
O fato é que com tudo você aprende. Eu aprendi a admirar o estilo de vida holandês que não é mole, não. E aprendi acima de tudo a amar mais ainda meu próprio país e suas cores, seus pássaros, seu sol lindo, sua comida maravilhosa, seu povo alegre e tudo que há de maravilhoso aqui. É claro que ue não fecho os olhos para os problemas que temos aqui, mas apesar de tudo:
NÃO EXISTE LUGAR COMO O BRASIL!!!!!!!!

                                   Fazendo compras de bicicleta. Um desafio.

                              Esperando a chuva passar debaixo do viaduto.


Chegada do Siterklaas. Uma espécie de papai noel, mas que vem antes do natal. Não tem relação nenhuma com o papai noel do Brasil e não tem nada a ver com o natal. É uma tradição muito importante na Holanda.

A região onde ficamos tem muitas plantações de milho, fazendas, animais e muitas vacas holandesas que lá eles chamam apenas de vaca (como muita gente me fez essa piadinha nos últimos 4 anos!)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Corrie Ten Boom, Uma Relexão

                                                   "Deus não tem problemas, apenas planos."
Essa frase é de Corrie ten Bom, do livro "In my father's house". Corrie, para mim, é uma ds mulheres mais corajosas da história. Mas o mais admirável nela é que sua coragem sempre veio do seu Senhor e movida pelo seu amor por Ele. Para quem nunca ouviu falar de Corrie ten Boom, vou contar um pouquinho da sua história.
Corrie era filha de Casper, um relojoeiro da cidade de Haarlem, próxima a Amsterdam. Era uma família piedosa que fazia de tudo para obedecer a Deus. Como Corrie cita em seus livros, eles eram muito pobres, mas sempre encontravam alguém mais pobre ainda com quem eles poderiam compartilhar o pouco que tinham. Seu pai entendia que os judeus eram o povo escolhido por Deus, e naquela casa houve oração pelos judeus por 100 anos! Eles eram fiéis aos versos da bíblia onde diz que devemos orar por Israel.
O ano era de 1942 e a Holanda estava ocupada pela Alemanha, durante a segunda guerra mundial. Milhares de judeus desapareciam diariamente. Eles eram levados para os campos de trabalho forçado ou extermínio, pois os nazistas acreditava que eles eram uma raça inferior e deveriam ser exterminados (para saber mais, leia os posts sobre Auschwitz).
A família de Corrie naquela época consistia em seu pai com 80 anos e sua irmão mais velha, Betsy. Os três moravam na mesma casa. Corrie ainda tinha uma irmã que era casada e tinha filhos e um irmão que era pastor.
Então, obedecendo a Deus, Corrie, seu pai e sua irmã decidiram esconder 4 judeus e dois participantes da resistência holandesa, na sua casa. Isso deu certo por algum tempo, mas um dia eles foram traídos e presos. Alguém delatou a pobre família e eles foram arrastados para a delegacia. Corrie, sua irmã Betsy e seu pai com 82 anos. Corrie e Betsy foram levadas para um campo de trabalho forçado e após algum tempo Corrie ficou sabendo que seu pai havia morrido apenas 10 dias após sua prisão. Ele nem chegou a ir ao campo de concentração, morrendo na prisão.
Betsy também morreu no campo de concentração. Corrie ainda perdeu seu irmão e um sobrinho durnate a guerra, por ajudar judeus. Mas todas as 6 pessoas que eles esconderam no refúgio secreto(como é chamado até hoje) sobreviveram!!
Depois que a guerra acabou Corrie viajou pelo mundo todo falando do seu Senhor e dando seu testemunho de amor e fidelidade para Deus. Se você quiser ler a sua história, existe um livro em portugês chamado "Refúgio Secreto"publicado pela editora Betania.
Na terça feira nós fomos com os pais do Tijs visitar o Refúgio Secreto, na cidade de Haarlem, e foi uma das experiências mais marcantes da minha vida!
A casa hoje é um museu, cuja entrada é de graça, e uma senhora conta toda istória da família num tom evangelista.O grupo em que estávamos era bem internacional, tinha americanos, sueco, holandeses, uma brasileira, portugues...
 Nós vimos o esconderijo, que não era nada mais que uma parede falsa no quarto da própria Corrie, a sala de jantar onde todas as noites eles liam a bíblia...
Eu fiquei pensando se hoje, na nossa sociedade individualista, tivéssemos uma oportunidade dessa, o que faríamos?
Se hoje, um menino desesperado batesse na minha porta, fugindo do tráfico, e eu soubesse da possibilidade de perder a vida e prejudicar minha família, será que eu receberia esse menino e o esconderia em minha casa? Será que eu colocaria minha vida em risco por outros? Será que eu colocaria minha vida em risco para obedecer a Deus?
Corrie diz que Deus dá coragem para fazermos o que precisamos fazer naquele tempo determinado e que tudo o que eles fizeram foi Deus quem fez através deles.
Eu concordo com ela. Creio que não podemos fazer nada disso sozinhos e dependemos completamente de Deus e da Sua força. O problema hoje é encontrar um coração obediente e disposto a viver e morrer por Cristo. Nem o evangelho que é pregado hoje fala mais disso. Tudo que é falado é: EU preciso, EU quero, EU sou, EU, EU e mais EU! Tudo gira ao nosso redor. Quero ser rico, quero ter saúde, quero chegar em casa depois do trabalho assistir meu tele jornal, minha novela e pronto acabou. Não quero ouvir mais problemas além  dos que eu já tenho! Mas se olharmos ao nosso redor veremos milhares de pessoas batendo à nossa porta pedindo ajuda. E isso custa muito. Custa todo o estilo de vida que é pregado e defendido hoje. Custa nossa tranquilidade, nossa paz e nossa vidinha de faz de conta.
Nós precisamos de Deus desesperadamente. Precisamos que Ele nos dê força necessária para obedecê-lo. Precisamos que Eles nos tire dessa vidinha miserável que levamos. Precisamos que Ele nos ensine como amar. Só assim, só sendo ajudado por Ele é que poderemos olhar ao nosso redor, arregaçar as mangas e colocar nossas mãos à obra! Só assim poderemos ajudar o nosso próximo. Pois tudo é Dele, vem Dele e é para Ele.

Tijs saindo do refúgio secreto

Esse sinal ficava na janela dizendo que os membros da resistência podiam entrar pois não havia perigo. A palavra Alpina significa liberdade.

Detalhes. Artesanato feito pela própria Corrie.

Refugio secreto

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Como tudo começou

Hoje é um dia especial para nós. Há 3 anos atrás, num sábado cheio de sol e um lindo céu azul, nos casávamos em uma pequena igreja no sul do Brasil. Desde então temos vivido muitas aventuras juntos. Sempre nos conhecendo melhor, rindo juntos, passando por dificuldades juntos e crescendo nessa união que desde o começo foi preparada por Deus, nosso grande "cupido"!
Para comemorar essa data tão especial para nós, decidi fazer um post contando nossa história. Espero que você goste de nos conhecer um pouquinho melhor.
O ano era de 2005 e eu estava morando na cidade de Imbituva, no interior do Paraná. Eu trabalhava numa papelaria e e fazia parte de um igreja quadrangular, um dos meus lugares favoritos e onde eu passava a maior parte das noites. Basicamente era essa minha vida: casa - trabalho- trabalho-casa- igreja- casa...
Até que um dia após chegar de trabalho, me senti tão frustrada com a vida que eu levava que em meio a lágrimas orei para Deus mudar a minha vida, pois eu queria viver aventuras e estava cansada da vida sem graça que eu levava. Na mesma semana decidi que faria um treinamento em missões, mas não sabia onde e como. Então orei mais uma vez e ouvi uma voz, uma voz de verdade, dizendo para ir para Belo Horizonte fazer ETED (escola de treinamento e discipulado). Ok, disse eu. Eu vou!
Fiz minha inscrição e logo fui aceita. Não fazia a mínima idéia de como tudo seria a partir daí, mas estava feliz por começar a vida de aventuras que tinha pedido para Deus.
E assim no dia 30 de junho de 2006 pegava um ônibus em Curitiba, rumo a Belo Horizonte. Um salto no escuro. Apartir daí tudo era desconhecido. Me despedi das minhas irmãs na rodoviária em meio a muitas lágrimas, pois era a primeira vez que nos separávamos. Passamos por muita coisa juntas desde que nossa mãe havia morrido e fomos obrigada a morar sozinhas e isso nos fez ter um relacionamento mais especial do que apenas irmãs. Ficamos unidas pelo resta da vida pelo que passamos juntas. Mas era hora de dizer adeus.
Quando entrei no ônibus encontrei um simpático rapaz, vindo de Santa Catarina, que por coincidência iria para o mesmo lugar que eu, para fazer o mesmo treinamento!! Seu nome é Fabiano. Hoje não temos mais muito contato, mas mesmo assim, temos muito carinho pro ele.
Saindo de uma temperatura de 5 graus em Curitiba e chegando numa BH de 30, esse não foi meu único choque! Uma nova vida pela frente. Tudo iria mudar em pouco tempo.
No primeiro dia de ETED, tem-se o costume de fazer um café da manhã especial para apresentar os novos alunos e para os alunos conhecerem melhor as pessoas da casa Luzeiro, com quem vão morar nos próximos 5 meses. Todos se reunem e dizem seus nomes, o que fazem, de onde vem e etc.
As apresentações estavam aocntecendo quando de repente um jovem de olhos azuis e cabelos loiros compridos se apresentou como voluntário da casa Luzeiro. Seu nome era Tijs. Nessa hora eu ouvi uma voz, de novo uma voz de verdade, dizendo:" Esse é o presente que eu vou te dar!"
Eu pensei: "o que??!!" Acho que estou cansada demais da viagem!
Os dias se passaram e cada vez que eu o encontrava pela casa aquela mesma voz falava a mesma coisa e eu quase que saía correndo assustada, pois não queria relacionamento nenhum naquela época. Ainda mais alguém de tão longe da minha cidade, pois meu plano era voltar para casa ao final dos 5 meses.
Com o passar dos dias eu fazia joguinhos com Deus (o que não aconselho fazer, pois é muito estúpido fazer isso com Deus) como por exemplo, se o Tijs fizer tal coisa, eu vou entender que a voz que eu ouço é verdadeira. E não é que tudo que eu fazia só servia para confirmar que a voz que eu ouvira desde o primeiro dia era mesmo a voz de Deus.
No começo do treinamento, Tijs estava apenas traduzindo, pois a base da JOCUM em BH é bilingue, por que tem muitos estrangeiros lá e tudo é feito em inglês e português. Mas após uns 20 dias traduzindo, ele foi convidado para fazer o treinamento. Ele também estava em uma fase decisiva da sua vida. Não sabia se começava faculdade, voltava para a Holanda... e então ele orou e disse para Deus fazer a vontade Dele, pois Tijs já estava cansado de tentar fazer as coisas acontecerem por ele mesmo. Então Deus falou para ele fazer a ETED, e ele começou. Apartir daí começamos a nos conhecer e em pouco tempo já estávamos apaixonados. O problema é que nós gostaríamos de passar o tempo todo conversando e se conhecendo, o que NÃO é o propósito da ETED. Passamos esses 5 meses de ETED nos conhecendo melhor e a cada dia Deus confirmava para nós que deveríamos ficar juntos. E é claro, ficávamos cada dia mais apaixonados.
No dia da formatura da ETED, dia 18 de novembro de 2006, eu comecei o dia ganhando presentes. Logo de manhã, eu fui ao banheiro e quando voltei havia uma linda rosa na minha cama. Na hora do almoço, tinha uma caixa de bombom. No meio da tarde, mais uma flor. No final da tarde, havia em cima da minha cama uma bolsa linda que eu tinha visto quando estávamos em Lima no Peru, onde fizemos parte do nosso tempo prático, e eu não pude comprar pois não tinha dinheiro.
Fomos para o culto de formatura e eu só pensava em como seria minha nova vida depois disso. Durante o tempo prático no Peru, Deus hava confirmado meu chamado para missões e eu tinha decidido ficar em BH, na casa Luzeiro e trabalhar com crianças. E é claro que também não parava de pensar como seria a nova vida: Kelly e Tijs.
O culto acabou, mais uma vez despedidas com lágrimas para a Kelly. Naquele dia me despedia da Flávia, Fabiano, Radjalma, Jenny, Johanna, Cristiane, Pauline.
Ao final, quando quase todo mundo havia saído, Tijs se aproximou de mim, se ajoelhou, e me fez a pergunta: quer namorar comigo? É claro que eu disse SIM!!! Então começamos a namorar.
Nossa primeira saída juntos foi ao hospital, onde eu tive que passar uma tarde tomando soro, pois voltei muito doente do Peru e desidratada. Digamos que não foi nada romântico...
Durante esse tempo pude conhecer melhor a família do Tijs, que moravam a Luzeiro. Seus pais lideraram o ministério por 8 anos. Todas as noites eu jantava na casa deles.
No mês de maio, decidimos casar. E foi engraçado que na mesma noite que contamos para os pais do Tijs que iríamos ficar noivos, eles deram a notícia que estavam voltando para a Holanda. Junto com a  notícia teria que vir a decisão. Ficaríamos no Brasil  e decidiríamos ser missionários de carreira, ou iríamos embora para a Holanda junto com toda a família?
Naquela mesma noite decidimos ficar e entendemos que tínhamos um chamado missionário para o Brasil.
Então no dia 10 de novembro de 2007 nos casamos na cidade de Imbituva, na igreja quadrangular.
O que foi muito engraçado é que o nome Tijs não é brasileiro e é difícil para algumas pessoas pronunciarem. Então de manhã no casamento civil eu casei com o Tijos, a tarde na igreja com o Tison e acabei levando o Tijs para casa!!
Em menos de 1 mês toda a família do Tijs se mudou para a Holanda deposi de 10 anos no Brasil. Nós fomos junto com eles e eu pude conhecer a Holanda e toda a família do Tijs. Uma experiência bem emocionante.
Voltamos para o Brasil no dia 9 de fevereiro de 2008 e começamos nossa vida numa pequea casinha que quando chovia entrava água por todos os lados.
Desde então temos crescido como esposo e esposa, como missionários e como filhos de Deus.
E a vida cheia de aventuras que eu pedi a Deus, com toda a certeza Ele me deu. Mas melhor do que eu imaginava, pois quando eu pedi isso a Deus, sempre me imaginei sozinha, mas Deus me deu o melhor dos presentes: o meu marido, meu amor, meu amigo, meu companheiro, o meu Tijs. E hoje após 3 anos juntos só tenho a agradecer por tudo que temos e somos um para o outro.
Obrigada Deus por esses 3 anos de casamento!



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Brasil para crianças e velhinhos

Quem não se sente feliz em ter um público só para ouvir sobre seu trabalho, sua grande paixão?
Pois aqui na Holanda, durante nossas férias pudemos falar para muitas pessoas sobre nosso trabalho no Brasil e isso nos fez sentir MUITO realizados!
Aqui na Holanda não apenas as igrejas têm interesse em ouvir sobre trabalho missionário, mas escolas, asilos, grupos de jovens, enfim, diferentes tipos de pessoas também querem ouvir sobre o que acontece do outro lado do oceano.
Durate esses dois meses aqui andamos de um lado para o outro visitando igrejas e diferentes grupos para falar sobre nosso trabalho. Foram várias as aventuras e grandes as descobertas!
As vezes o dia ainda estava nascendo e nós já estávamos na estrada. Nós não temos carro, então são quilômetros e mais quilômetros de bicicleta. Certa vez, para voltarmos de uma igreja pegamos um ônibus, três trens e meia hora de bicicleta até chegar em casa 1 hora da manhã!! Pegamos chuva, vento, geada, muito frio, mas sempre vale a pena!!
Em uma das igrejas que visitamos, conheci várias pessoas que já haviam visitado o Brasil e inclusive trabalhado no meu prórpio estado, o Paraná, numa cidade pertinho da minha cidade natal. Almoçamos na casa de uma senhora que deu aulas de holandês por dois anos numa escola em Carambeí, próximo à Curitiba. Também conversamos com um homem que viveu sua infância na mesma cidade, pois seu pai era pastor lá. E o que é melhor ainda é eles falavam português!!!
Fomos também em uma noite para jovens em uma igreja no norte do país, onde iria acontecer um show gospel, "a la Hillsong". O que nos surpreendeu é que eram jovens mesmo! Tijs teve que adaptar a sua pregação, pois tinha preparado algo para jovens mais da mesma idade que ele e quando chegamos lá vimos que a maioria era adolescente! Mas foi muito bom!
Uma das coisas que eu mais gostei de fazer aqui foi falar do nosso trabalho para um grupo de velhinhos num asilo. Quanto carinho recebemos naquele dia!!!!! Eles foram muito amáveis conosco e nos fizeram MUITAS perguntas. Umas muito sérias, outras muito engraçadas. No final uma das velinhas falou: Ah,nós perguntamos tanto sobre o Brasil, por que nunca fomos lá!
A mulher responsável pela instituição nos disse mais tarde que nunca viu eles tão concentrados em algo, e que foi muito interessante para eles. Duas semanas depois da nossa visita eles ainda estavam falando sobre nós.
Outra visita ótima que fizemos foi numa escola primaria. Falamos do nosso trabalho para oito grupos diferentes, oito idades diferentes(4-12), uma seguida da outra. Ufa! Foi  muito trabalho, mas valeu a pena. As crianças nos echeram de perguntas! Todos os tipos de perguntas! Desde o que comemos no Brasil até se tem crocodilo no Brasil. Pediram também para nós ensinarmos a eles algmas palavras em português, o que foi muito bonitinho. No Brasil nós ensinamos as crianças a cantarem a música "leia a bíblia e faça oração"que também existe uma versão holandesa dessa música, então eu levei meu violão para a escola e cantamos essa música com as crianças, primeiro em holandês e depois em português. E até que elas se saíram muito bem! Essa visita na escola foi bem significativa para o Tijs, pois ele estudou nessa escola quando era criança e muitos professores ainda lembram dele. Inclusive o diretor é o mesmo daquela época!! E também os irmãozinhos do Tijs, Lucas e Felipe, estudam nessa escola, o que foi bem emocionante para eles verem o irmão mais velho falando sobre o Brasil. Quando saímos de lá ficou aquela sensação gostosa dentro do peito de: plantamos uma semente! Quem sabe daqui alguns anos algumas dessa crianças serão missionários no Brasil? Quem sabe se hoje Deus chamou alguns? Há 14 ou 15 anos atrás Tijs estava lá, sentado em uma cadeira sendo alfabetizado em holandês e hoje é um missionário no Brasil! Nosso trabalho é semear, depois, a convicção quem traz é Deus.
É claro que além disso ainda falamos na nossa igreja aqui e em mais algumas outras. No domingo haverá na nossa igreja uma "feira missionária"e eu vou tentar fazer pão de queijo para as pessoas aqui. E vamos servir juntamente com guaraná (felizmente conseguimos achar uma loja que vende artigos brasileiros aqui)!
A realidade aqui na Holanda é bem diferente. As pessoas realmente se sentem interessadas no tabalho missionário. Elas nos convidam para ir nas suas casas, igrejas e estão sempre abertas para ouvir. Eu sinto como se estivéssemos semeando, em cada lugar que vamos. Pois nossa missão não é apenas quando estamos no nosso dia a dia na comunidade. Nossa missão também é despertar as pessoas e a igreja para o trabalho de Cristo. Como já dizia Jesus:" a seara é grande e poucos os ceifeiros".
Espero que daqui alguns anos possamos ter muitos missionários holandeses no Brasil, respondendo ao chamado de Deus!

Tijs falando para os menores da escola - 4 anos


Todos ficaram impressionados aos saber que o Brasil é 208 vezes maior que a Holanda!

Cantando: "leia a bíblia e faça oração..."

Muitas perguntas!

Culto Jovem

Estação central em Amsterdam. O sol ainda estava nascendo e nós já estávamos na estrada!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Fim de semana com a família e meu aniversário

 Reunir a família parace normal para alguns, mas para a famíla do Tijs é algo bem especial que só é possível acontecer a cada 2 anos.
Por isso nesse fim de semana fomos para  a Bélgica, numa cidade chamada Durbuy, na parte francesa do país passar um fim de semana com toda a família reunida. A última vez em que etsávamos todos juntos aconteceu em fevereiro de 2008.
A família é bem numerosa (estávamos em 11 pessoas lá) e bem internacional (já que eu não falo holandês e uma das filhas não fala português). Um desafio!
Mas no final o que importa é todos estarem juntos e guardarem na memória os bons momentos vividos juntos.
Também nesse final de semana foi o meu aniversário (28 anos!!!!!) e foi muito legal poder celebrá-lo pela primeira vez com a parte holandesa da minha família. O interessante é que esse foi o meu primeiro aniversário no outono!! (pois aqui a estação agora é outono e no Brasil primavera!)
É claro que nunca está completo, senti muita falta das minhas irmãs. Mas a vida de missionária com um casamento transcultural é assim mesmo, o coração é dividido em pedacinhos. Um pedacinho em cada lugar.Daqui duas semanas voltaremos para o Brasil e será possível reunir a família toda de novo daqui dois anos. Se Deus permitir!



                     Essa foi a casa onde passamos o fim de semana. Linda!


                                    Brunch sábado de manhã. Meu aniversário!!!


                                                   Passeando pela cidade.


                                                    Experimentando chapéus


                                    OS três irmãos reunidos num joguinho de nintendo.


                                    Imagem e ação! Um desafio em duas línguas!


                                  No sábado visitamos as grutas de uma cidade próxima.



Pai mãe e filhos!



                                                Vista da cidade


Para ver mais fotos, veja o slide show ao lado direito da tela.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Auschwitz, uma reflexão

Visitar um campo de concentração é uma experiência única. Mistura de sentimentos, horror, auto análise, pena, raiva, mágoa, sentimento de justiça própria... uma loucura. Você pensa em como é possível alguém chegar a esse ponto de loucura ou maldade, e como foi possível Hittler conseguir tantos seguidores?
Por que de repente alguém pensa que é superior ao outro e decide que deve exterminar a "raça inferior"?
Tenho que elogiar a criatividade dos nazistas. Eles desenvolveram várias formas de matar. Tinha sala de morrer sufocado, sala de morrer de fome, instrumentos de tortura, câmaras de gás, cerca de elétrica de arame farpado (quem consegue escapar disso?)... Enfim a lista de formas macabras de matar é imensa!
A maldade é tão grande que você não consegue imaginar de onde vem tudo isso. Bem... Será que não conseguimos?
Já ouvi pessoas dizerem: ufa, ainda bem que moramos num país pacífico, que não tem guerra, onde diferentes povos podem viver em harmonia, somos um povo festeiro, alegre... Eu me pergunto: Será?
O pensamento que deu início a todo o teatro de horrores hittleriano é bem simples e reside em mim e em você: Eu sou melhor do que  meu próximo!
Na verdade esse pensamento foi o início de toda grande tragédia da história, o genocídio em Ruanda, a escravidão, o apartheid, as grandes guerras. E agora me deparo com uma situação dentro do Brasil, sulistas apedrejando nordestinos e nordestinos apedrejando sulistas. Todos baseados no pensamento de que eu sou melhor do que o outro.
Eu moro e trabalho numa favela e o pensamento que eu mais vejo é esse, pessoas "do asfalto"se achando melhores do que "os favelados". Eu achava que isso não acontecia, mas certo dia alguém resolveu levar algumas crianças da comunidade no cinema no shopping. E você pode até ficar surpreso, mas algumas das crianças achavam que eles não poderiam entrar no shopping!!! Pensavam que era proibido. Eu conheço uma mulher que mora na comunidade que foi barrada na porta do shopping por ser NEGRA e FAVELADA!!!!
Você pensa que hittler e seus pensamentos malucos estão longe de nós? Pois eu não!
O mal reside em nós.
Mas o que fazer então?
Certo tempo atrás eu ouvi uma história que vem bem a calhar neste post.
Um velho avô disse a seu neto, quando este veio até ele, com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça, “Deixe-me contar uma história.

Eu mesmo, algumas vezes, já senti grande ódio por aqueles que não tem qualquer arrependimento do que fazem.

Mas o ódio te corrói, e não fere seu inimigo. É como tomar veneno, e desejar que seu inimigo morra. Lutei com esses sentimentos muitas vezes.” Ele continuou: “É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor, e não se ofende quando não teve intenção de ofender. Ele só luta quando tiver que lutar, e do jeito certo.

Mas o outro lobo, ah! Ele está cheio de raiva. O insignificante vai colocá-lo em estado de raiva. Ele luta contra todos, o tempo todo, sem nenhuma razão. Ele não consegue pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, por causa dessa raiva nada irá mudar.

Às vezes, é difícil viver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito”.

O garoto olhou bem dentro dos olhos de seu avô e perguntou: “Qual deles vence, vovô?”

O avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento”.


Como acabar com esse pensamento de que eu sou melhor que meu próximo? Como derrubar esse lobo da maldade? A resposta está nas palavras já ditas há muito tempo atrás pelo homem mais sábio que esse mundo já teve:
" Ame teu próximo como a ti mesmo."
                                     Jesus Cristo 

Auschwitz - Fotos

                                  Arbeit macht frei: O trabalho liberta.
                                 Entrada do campo de concentração Auschwitz I 
 Nesse lago foram jogadas as cinzas das pessoas que foram cremadas após morrerem na câmara de gás. A  placa é um memorial aos mortos, cujas cinzas foram jogadas nesse lago.
                                                 Pertences dos judeus mortos no campo.

               Deficientes físicos eram mortos assim que chegavam. A intenção era eliminar os mais fracos.
 Pertences das crianças que foram levadas para o campo. Elas eram levadas para as câmaras de gás assim que chegavam ao campo. Algumas eram levadas no colo da própria mãe, pois ninguém sabia que elas caminhavam para a morte, pensava-se que era um simples banho.


                                            Nesse muro os prisioneiros eram mortos a tiros.
                                                                  Câmara de gás.
                                                                    Crematório



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Auschwitz

Há alguns dias atrás vistamos o campo de concentração Auschwitz, que fica na Polônia. A viagem surgiu da iniciativa de algumas pessoas da igreja dos pais do Tijs, que já haviam visitado o campo. A experiência foi tão forte que surgiu o desejo de dar a oportunidade para outras pessoas terem a mesma experiência.
A Polônia não fica tão longe da Holanda, foram apenas 12 horas de viagem (mais perto que Belo Horizonte a Imbituva, minha cidade natal).
Saímos na quarta feira e voltamos no sábado. Para chegar à Polônia tivemos que atravessar a Alemanha, onde pegamos um engarrafamento tão grande que atrasou nossa viagem em umas 3 horas.
Ficamos hospedados em uma espécie de albergue de uma igraja americana, gerenciado por uma família polonesa. Tudo muito bem preparado para nós, quartos quentinhos, comida deliciosa, chuveiro bom, água quente... enfim, barato, mas aconchegante. Na primeira manhã enquanto tomávamos o café da manhã eu fui presenteada com a primeira neve da minha vida. Claro que foi bem "ralinha" mas mesmo assim valeu a pena!

A primeira coisa que visitamos foi o museu Auschwitz. No passado foi também o maior campo de extermínio da europa, inclusive foi nesse campo que foi usado pela primeira vez a "solução final", ou seja, a camara de gás. Logo depois visitamos o campo Auschwitz II Brikenau, onde tem os inúmeros alojamentos da época da guerra. A capacidade de pessoas nesse campo era de 100 mil ao mesmo tempo, mas é claro que os nazistas colocavam muito mais. As mulheres mais fracas, velhos e crianças chegavam lá e eram direcionados imediatamente para as cameras de gás, depois eram cremados e suas cinzas eram jogadas num lago dentro do próprio campo. As vezes tinha até "fila de espera"para as camaras de gás. Hoje restam apenas ruinas dessas camaras, pois quando a Alemanha sabia que perderia a guerra tentou destruir tudo numa tentativa de eliminar as provas dos crimes.
Nesse primeiro dia tivemos um guia nos explicando como tudo funcionava. Foi chocante e emocionante ouvir todas aquelas histórias horríveis.
O engraçado foi que eu perguntei para o guia, que é polonês, como a Polônia lidava hoje com a história e todo esse patrimônio histórico que eles tem em seu país. Ele respondeu que hoje eles consideram isso apenas história e que muitos jovens hoje não sabem direito o que realmente aconteceu. Eu achei isso um pouco triste.
No segundo dia visitamos os campo novamente, mas dessa vez sem o guia. Assim pudemos olhar tudo com mais calma.
Algumas pessoas me perguntaram como é estar num lugar desses e na verdade até agora não consegui achar uma resposta. Talvez eu ainda esteja processando tudo. O fato é que Auschwitz não é um lugar turístico e sim um lugar de reflexão. Não é um lugar que você vai para se divertir, mas um lugar que você vai para confrontar seu próprio lado mau e tentar aprender alguma coisa com a história.