terça-feira, 2 de novembro de 2010

Auschwitz, uma reflexão

Visitar um campo de concentração é uma experiência única. Mistura de sentimentos, horror, auto análise, pena, raiva, mágoa, sentimento de justiça própria... uma loucura. Você pensa em como é possível alguém chegar a esse ponto de loucura ou maldade, e como foi possível Hittler conseguir tantos seguidores?
Por que de repente alguém pensa que é superior ao outro e decide que deve exterminar a "raça inferior"?
Tenho que elogiar a criatividade dos nazistas. Eles desenvolveram várias formas de matar. Tinha sala de morrer sufocado, sala de morrer de fome, instrumentos de tortura, câmaras de gás, cerca de elétrica de arame farpado (quem consegue escapar disso?)... Enfim a lista de formas macabras de matar é imensa!
A maldade é tão grande que você não consegue imaginar de onde vem tudo isso. Bem... Será que não conseguimos?
Já ouvi pessoas dizerem: ufa, ainda bem que moramos num país pacífico, que não tem guerra, onde diferentes povos podem viver em harmonia, somos um povo festeiro, alegre... Eu me pergunto: Será?
O pensamento que deu início a todo o teatro de horrores hittleriano é bem simples e reside em mim e em você: Eu sou melhor do que  meu próximo!
Na verdade esse pensamento foi o início de toda grande tragédia da história, o genocídio em Ruanda, a escravidão, o apartheid, as grandes guerras. E agora me deparo com uma situação dentro do Brasil, sulistas apedrejando nordestinos e nordestinos apedrejando sulistas. Todos baseados no pensamento de que eu sou melhor do que o outro.
Eu moro e trabalho numa favela e o pensamento que eu mais vejo é esse, pessoas "do asfalto"se achando melhores do que "os favelados". Eu achava que isso não acontecia, mas certo dia alguém resolveu levar algumas crianças da comunidade no cinema no shopping. E você pode até ficar surpreso, mas algumas das crianças achavam que eles não poderiam entrar no shopping!!! Pensavam que era proibido. Eu conheço uma mulher que mora na comunidade que foi barrada na porta do shopping por ser NEGRA e FAVELADA!!!!
Você pensa que hittler e seus pensamentos malucos estão longe de nós? Pois eu não!
O mal reside em nós.
Mas o que fazer então?
Certo tempo atrás eu ouvi uma história que vem bem a calhar neste post.
Um velho avô disse a seu neto, quando este veio até ele, com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça, “Deixe-me contar uma história.

Eu mesmo, algumas vezes, já senti grande ódio por aqueles que não tem qualquer arrependimento do que fazem.

Mas o ódio te corrói, e não fere seu inimigo. É como tomar veneno, e desejar que seu inimigo morra. Lutei com esses sentimentos muitas vezes.” Ele continuou: “É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor, e não se ofende quando não teve intenção de ofender. Ele só luta quando tiver que lutar, e do jeito certo.

Mas o outro lobo, ah! Ele está cheio de raiva. O insignificante vai colocá-lo em estado de raiva. Ele luta contra todos, o tempo todo, sem nenhuma razão. Ele não consegue pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, por causa dessa raiva nada irá mudar.

Às vezes, é difícil viver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito”.

O garoto olhou bem dentro dos olhos de seu avô e perguntou: “Qual deles vence, vovô?”

O avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento”.


Como acabar com esse pensamento de que eu sou melhor que meu próximo? Como derrubar esse lobo da maldade? A resposta está nas palavras já ditas há muito tempo atrás pelo homem mais sábio que esse mundo já teve:
" Ame teu próximo como a ti mesmo."
                                     Jesus Cristo 

Auschwitz - Fotos

                                  Arbeit macht frei: O trabalho liberta.
                                 Entrada do campo de concentração Auschwitz I 
 Nesse lago foram jogadas as cinzas das pessoas que foram cremadas após morrerem na câmara de gás. A  placa é um memorial aos mortos, cujas cinzas foram jogadas nesse lago.
                                                 Pertences dos judeus mortos no campo.

               Deficientes físicos eram mortos assim que chegavam. A intenção era eliminar os mais fracos.
 Pertences das crianças que foram levadas para o campo. Elas eram levadas para as câmaras de gás assim que chegavam ao campo. Algumas eram levadas no colo da própria mãe, pois ninguém sabia que elas caminhavam para a morte, pensava-se que era um simples banho.


                                            Nesse muro os prisioneiros eram mortos a tiros.
                                                                  Câmara de gás.
                                                                    Crematório



Se você quiser ver mais fotos, visite o meu perfil no facebook.

Auschwitz

Há alguns dias atrás vistamos o campo de concentração Auschwitz, que fica na Polônia. A viagem surgiu da iniciativa de algumas pessoas da igreja dos pais do Tijs, que já haviam visitado o campo. A experiência foi tão forte que surgiu o desejo de dar a oportunidade para outras pessoas terem a mesma experiência.
A Polônia não fica tão longe da Holanda, foram apenas 12 horas de viagem (mais perto que Belo Horizonte a Imbituva, minha cidade natal).
Saímos na quarta feira e voltamos no sábado. Para chegar à Polônia tivemos que atravessar a Alemanha, onde pegamos um engarrafamento tão grande que atrasou nossa viagem em umas 3 horas.
Ficamos hospedados em uma espécie de albergue de uma igraja americana, gerenciado por uma família polonesa. Tudo muito bem preparado para nós, quartos quentinhos, comida deliciosa, chuveiro bom, água quente... enfim, barato, mas aconchegante. Na primeira manhã enquanto tomávamos o café da manhã eu fui presenteada com a primeira neve da minha vida. Claro que foi bem "ralinha" mas mesmo assim valeu a pena!

A primeira coisa que visitamos foi o museu Auschwitz. No passado foi também o maior campo de extermínio da europa, inclusive foi nesse campo que foi usado pela primeira vez a "solução final", ou seja, a camara de gás. Logo depois visitamos o campo Auschwitz II Brikenau, onde tem os inúmeros alojamentos da época da guerra. A capacidade de pessoas nesse campo era de 100 mil ao mesmo tempo, mas é claro que os nazistas colocavam muito mais. As mulheres mais fracas, velhos e crianças chegavam lá e eram direcionados imediatamente para as cameras de gás, depois eram cremados e suas cinzas eram jogadas num lago dentro do próprio campo. As vezes tinha até "fila de espera"para as camaras de gás. Hoje restam apenas ruinas dessas camaras, pois quando a Alemanha sabia que perderia a guerra tentou destruir tudo numa tentativa de eliminar as provas dos crimes.
Nesse primeiro dia tivemos um guia nos explicando como tudo funcionava. Foi chocante e emocionante ouvir todas aquelas histórias horríveis.
O engraçado foi que eu perguntei para o guia, que é polonês, como a Polônia lidava hoje com a história e todo esse patrimônio histórico que eles tem em seu país. Ele respondeu que hoje eles consideram isso apenas história e que muitos jovens hoje não sabem direito o que realmente aconteceu. Eu achei isso um pouco triste.
No segundo dia visitamos os campo novamente, mas dessa vez sem o guia. Assim pudemos olhar tudo com mais calma.
Algumas pessoas me perguntaram como é estar num lugar desses e na verdade até agora não consegui achar uma resposta. Talvez eu ainda esteja processando tudo. O fato é que Auschwitz não é um lugar turístico e sim um lugar de reflexão. Não é um lugar que você vai para se divertir, mas um lugar que você vai para confrontar seu próprio lado mau e tentar aprender alguma coisa com a história.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Holanda


Estamos na Holanda. Há mais ou menos um mês atrás viajamos, afinal faziam dois anos e meio que não visitávamos a familia do Tijs.

Aqui temos um apartamento para nós mesmos, cedido por alguém da nossa igreja aqui da Holanda. A casa é bem aconchegante e foi feita pelas próprias mãos do dono, com o intuíto de receber missionários, pessoas que precisam descansar, grupos de igreja, enfim, uma casa para servir ao povo de Deus.

Agora é outono na Holanda e as árvores ganham cores lindas, marrom, amarelo, laranjado... coisas que não temos muito no Brasil, por ser um país tropical. Mas apesar de ser outono já faz muito frio, chegando a gear quase todos os dias. Pobre de mim, acostumada com os trinta e poucos graus de Belo Horizonte... Mas com muito chá, aquecimento na casa e MUITA blusa, a gente vai sobrevivendo.

É muito bom estar por perto da familia. Todos nos tratam com muito carinho e as vezes até um pouco de mimo, o que não é chato, não! Afinal, ficamos um bom tempo sem aparecer por aqui e temos que aproveitar as semanas que temos para curtir toda a familia.

Durante esse tempo também damos informações sobre nosso trabalho no Brasil. Visitamos muitas igrejas, escolas, grupos de idosos, visitamos as pessoas, tudo para mostrar o que fazemos no Brasil. As pessoas aqui são muito interessadas em missões, o que nos faz sentir muito valorizados.

Agora temos mais 3 semanas aqui. Ainda temos vários compromissos com igrejas, reuniõs e etc, mas também temos vários encontros com a familia.

Esperamos poder contar com suas orações durante esse tempo nessa terra gelada. Pois além de tudo isso também estamos de férias e precisamos descansar, pois quando voltarmos ao Brasil teremos muitos desafios pela frente e muito trabalho.

Abraços bem gelados de uma Holanda gelada!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Um susto

Na última semana levamos um susto aqui em casa.
Numa tarde alguns meninos me chamaram no portão dizendo que queriam entregar algo que eu havia perdido. Eu pensei: "que estranho, não dei falta de nada!" Então o Tijs foi atendê-los no portão e para nossa surpresa eles estavam com a minha carteira em mãos, dizendo que tinham achado em cima da laje de uma igreja aqui na favela. Pensei de novo: "que estranho, nunca saio aqui na favela com minha carteira". Foi aí que entendi a história. Na tarde anterior por volta das 13 horas eu estava no quarto e o Tijs no banheiro e nós ouvimos a porta abrir e fechar. Eu pensei que era ele e ele pensou que era eu, mas exatamente nessa hora o ladrão estava dentro da nossa casa mexendo na minha bolsa e pegando minha carteira. Levaram também o aparelho de dvd que ficava na sala de tv que os obreiros usam. Na mesma noite entraram na casa de uma familia de obreiros e levaram 2 laptops. Foi um susto para nós, pois eles entraram enquanto estávamos em casa. No final da semana os laptops foram devolvidos e os cuidados redobrados. Agora mesmo quando estamos em casa ficamos com a porta trancada e antes de dormir checamos umas 3 vezes se todas as janelas estão fechadas e bem trancadas. Agradecemos a Deus pela proteção e por ter cuidado das nossas vidas e também por meus documentos terem voltado. Por favor orem por nós e pela nossa segurança.

aulas no CEMU


Durante toda a semana passada o Tijs deu aulas no CEMU (Centro de Missões Urbanas) que é outra missão aqui em BH mesmo. Ele deu aula sobre desenvolvimento comunitário e cosmovisão. A turma era de apenas 10 alunos, mas foi uma semana bem abençoada com muitas respostas positivas. Nosso sonho é espalhar essa visão por onde passarmos. Desenvolvimento de comunidades carentes é algo que está muito forte em nosso coração e queremos, além de ensinar esses princípios, vivê-los aqui onde moramos.
Tempo de equipe com dinâmicas





Intercessão criativa
Tempo de louvor juntos


Reuniões, reuniões e reuniões

Primeira reunião de pastores do ano. Nesse momento estávamos orando por uma irmã que estava com problemas de saúde.
Reunião com os pastores


Tijs traduzindo no primeiro culto do ano na base

E todos estão de volta


Finalmente toda a equipe chegou das férias e estamos completos! Na primeira semana de trabalho tivemos um treinamento e várias reuniões para decidir quem vai fazer o que no decorrer do ano. Foi muito legal o tempo que tivemos. Fizemos muitas dinâmicas de equipe, oramos juntos, louvamos juntos e buscamos a direção de Deus para nosso ministério nesse ano.

Também já tivemos nossa primeira reunião com os pastores da comunidadee estamos planejando um grande evangelismo com as igrejas daqui, outras missões e uma equipe de São Paulo.

A rotina voltou ao normal. Crianças correndo para lá e para cá, obreiros apressados carregando as coisas do seu grupo, pessoas da comunidade batendo no portão, vassouras, rodos e baldes em todo lugar e a familia luzeirense reunida na mesa na hora do almoço.

É bom estar com a família completa!